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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Planalto faz do Tesouro escudo para Bolsonaro

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/06/2022 20h22

Levado às manchetes pelos trovões da investigação sobre o escândalo do MEC e pelos raios que o partam de uma provável CPI, Bolsonaro passou a brilhar mais do que o Sol. Irradia cada vez mais notícias tóxicas. A penúltima novidade foi a conversão do Tesouro Nacional em escudo protetor de Bolsonaro. Tesouro, você sabe, é eufemismo para o seu bolso.

Liberaram-se R$ 3,3 bilhões em emendas secretas depois da passagem do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro pela cadeia, há uma semana. O governo abre o cofre para os parlamentares num instante em que tenta barrar a CPI do MEC e aprovar, à revelia da legislação eleitoral, benesses sociais capazes de socorrer a candidatura à reeleição de Bolsonaro, 19 pontos atrás de Lula no Datafolha.

Um dia depois da prisão do ex-ministro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, traficantes de verbas da Educação, desceu ao balcão das emendas secretas pouco mais de R$ 1,7 bilhão. No dia seguinte, quando as celas já haviam sido abertas, pingou mais de R$ 1,5 bilhão. Os valores correspondem a 20% dos R$ 16,5 bilhões reservados em 2022 para o butim que se convencionou chamar de orçamento secreto.

Somando-se tudo o que o governo já mandou liberar em emendas secretas neste ano, chega-se a R$ 5,8 bilhões (35% do total anual). Os congressistas que levam código de barras na lapela pressionam os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. Cobram dessa dupla de administradores da fila do orçamento secreto o envio de todas as emendas antes do prazo final para o pagamento, que, neste ano eleitoral, é o dia 2 de julho.

Na xepa que antecede o recesso parlamentar de julho, o Planalto tentou comprar a desistência de senadores que aderiram à CPI do MEC. Por ora, não conseguiu excluir uma mísera assinatura de um pedido que foi protocolado com 31 rubricas, quatro além do necessário.

Os governistas preparam recurso ao Supremo contra a instalação da CPI. Alegam que há outras comissões parlamentares de inquérito na fila, que teriam precedência. Se o recurso falhar, o Planalto terá de seduzir senadores dispostos a compor uma base remunerada na CPI. Quer dizer: Bolsonaro se desespera e você paga a conta.