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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Risco de derrota de Bolsonaro faz centrão antecipar cerco monetário a Lula

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/06/2022 16h01

O instinto de sobrevivência do centrão desloca os olhares dos seus oligarcas para o Orçamento federal de 2023. Farejando o risco de derrota de Bolsonaro, o grupo se equipa para submeter Lula a um cerco monetário caso seu favoritismo se confirme nas urnas. Com sua movimentação, os aliados do Planalto sinalizam que estão dispostos a fazer quase tudo por Bolsonaro, exceto cometer suicídio político.

O centrão cava trincheiras ao redor da Comissão de Orçamento do Congresso. Enfia granadas na programação orçamentária do próximo ano. A guerrilha do centrão foi exposta na tramitação da LDO, a proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias, que fixa os alicerces sobre os quais o orçamento será erguido.

São três os principais explosivos enfiados dentro da LDO. Um deles eleva o orçamento secreto, orçado em R$ 16,5 bilhões neste ano, para R$ 19 bilhões em 2023.

Outro torna compulsório o pagamento das emendas penduradas por deputados e senadores no orçamento paralelo. Deseja-se equiparar os gastos secretos a outros dois tipos de rubricas que o governo é obrigado a pagar: as emendas individuais e as de bancada.

Uma terceira granada reforça o poder de Arthur Lira, líder do centrão e presidente da Câmara. O encaminhamento das emendas secretas passa a depender também do aval do presidente da Comissão de Orçamento. Chama-se Celso Sabino. Vem a ser um aliado de Lira.

Pelas regras atuais, bastaria a anuência do relator do Orçamento. O problema é que, na peça referente a 2023, esse papel será exercido pelo senador piauiense Marcelo de Castro, um fervoroso aliado de Lula.

As alterações na LDO serão votadas na Comissão de Orçamento nesta quarta-feira. Se confirmadas, enviarão avisos para os presidenciáveis que ocupam o topo das pesquisas. O centrão informa a Bolsonaro que pode abandoná-lo a qualquer momento. E avisa a Lula que o prazo de validade do seu discurso pode expirar antes mesmo da abertura das urnas de outubro.

Lula condicionou o sucesso do seu hipotético futuro governo à derrota da "bancada do orçamento secreto" nas urnas de 2022. A julgar pelas ciladas que trama injetar na programação orçamentária do primeiro ano do próximo governo, o centrão escuta Lula com uma orelha e Ivete Sangalo com a outra: "Vai rolar a festa..."