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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Oposição engole PEC e arrota CPI no Congresso

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

04/07/2022 10h11

Quando alguém faz uma pose maior do que a própria sombra, costuma-se dizer que a pessoa come sardinha e arrota caviar. Mal comparando, é o que acontece com os opositores de Bolsonaro. No Congresso, a oposição engole PEC e arrota CPI. Depois de ajudou a aprovar a proposta de emenda constitucional com as benesses sociais que devem levar Bolsonaro ao segundo turno, os partidários de Lula pressionam pela abertura da comissão parlamentar de inquérito que atravessa na campanha à reeleição a pedra do escândalo do MEC. A PEC decolou. A CPI ainda não.

Aprovada no Senado com um mísero voto contra, a PEC que eleva o Auxílio Brasil, dobra o vale-gás e ajuda a encher o tanque de caminhoneiros e taxistas recebe tratamento prioritário na Câmara. Para acelerar a tramitação, o presidente da Casa, Arthur Lira, anexará a emenda a uma outra proposta cuja tramitação já está avançada. Operando no modo trator, Lira quer entregar o material para o comitê de campanha de Bolsonaro antes do recesso parlamentar, marcado para 18 de julho.

Quanto à CPI, o Planalto dá de barato que não será instalada antes das férias do meio do ano. Sob a coordenação de Flávio Bolsonaro, os governistas manuseiam duas estratégias. Numa, tentam adiar a investigação parlamentar para depois da eleição. Noutra, os aliados de Bolsonaro disputam com a oposição o apoio do PSD. O partido de Gilberto Kassab será o fiel da balança na CPI. Indicará dois dos 11 titulares da comissão. Se forem avessos a Bolsonaro, a maioria será oposicionista, como na CPI da Covid. Do contrário, o Planalto terá força para travar o colegiado.

Neste início de semana, o Planalto acelera na Câmara e aciona os freios no Senado. Zonza, a oposição que parecia cheia de si revela Legislativo seu imenso vazio.