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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro e Milton Ribeiro fazem tabelinha para matar inquéritos no Supremo

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

06/07/2022 09h26

Num instante em que o Senado organiza o funeral da CPI do MEC, Bolsonaro e o pastor Milton Ribeiro fazem uma inusitada tabelinha no Supremo Tribunal Federal. O presidente recorreu contra a pretensão do ministro Alexandre de Moraes de incluir no processo sobre a suspeita de interferência política na Polícia Federal o grampo no qual o ex-ministro da Educação conta à sua filha que o presidente lhe telefonou dos Estados Unidos para alertar sobre um "pressentimento" de que haveria uma batida policial de busca e apreensão no seu apartamento. Bolsonaro alega que o caso já consta de inquérito relatado pela ministra Cármen Lúcia.

Noutro recurso, Milton Ribeiro pede a Cármen Lúcia a anulação do processo mencionado por Bolsonaro no recurso subscrito pela Advocacia-Geral da União. O ex-ministro alega que a gravação divulgada pela Folha —aquela na qual admite ter franqueado o acesso de pastores traficantes de verbas ao MEC graças a um "pedido especial" de Bolsonaro— foi obtida clandestinamente de uma fonte anônima. Nessa versão, o áudio seria uma prova ilegal. E o inquérito sobre o balcão do MEC teria de ser anulado.

Ironicamente, nem o presidente nem o ex-ministro não parecem muito interessados interessados em se defender da suspeita de corrupção. O interesse de ambos é o de matar os inquéritos.

Os dois supõem que contarão com a solidariedade de Augusto Aras, o procurador-geral que se recusa a procurar. Aras já foi instado a se manifestar nos processos.