Josias de Souza

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Boa vontade de Alcolumbre com Dino custará caro para o Planalto

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre fez por Lula em menos de seis horas o que sonegou a Bolsonaro por mais de quatro meses. Flávio Dino mal havia sido indicado para o Supremo e sua sabatina já foi marcada para 13 de dezembro. Escolhido por Bolsonaro em julho de 2021, André Mendonça amargou uma espera de mais de quatro meses. Tanta boa vontade não sairá barato para o Planalto.

Alcolumbre reivindica o apoio de Lula para o seu projeto de retornar à presidência do Senado, na sucessão do amigo e aliado Rodrigo Pacheco. De resto, deseja beliscar uma das 12 vice-presidências da Caixa Econômica Federal que Lula levou ao balcão do centrão.

O senador já mantém apadrinhados em pelo menos oito órgãos públicos. Participou da articulação que levou dois ministros à Esplanada —Juscelino Filho (Comunicações) e Waldez de Góes (Integração Regional). Mas Alcolumbre, insatisfeito com tudo, quer um pouco mais. Queixa-se de que Lula é demasiado benevolente com Arthur Lira e o centrão da Câmara. Pede um olhar mais generoso para o Senado.

Depois de afagar o bolsonarismo, aprovando em 42 segundos na CCJ a emenda anti-Supremo que eletrificou a Praça dos Três Poderes na semana passada, Alcolumbre dedica-se a a mimar o governo. Indicou para relatar o caso de Dino um conterrâneo do indicado, o senador maranhense Weverton Rocha. Estava rompido com Dino. Mas já se recompôs. Antecipou aos colegas que seu parecer será favorável à indicação do ex-desafeto para o Supremo.

Operando em sintonia com Alcolumbre, Rodrigo Pacheco, o presidente do Senado, assegurou a Lula que o nome de Dino será levado ao plenário no mesmo dia em que for sabatinado pela Comissão de Justiça. Ambos disseram ao presidente da República que, a despeito dos rancores bolsonaristas, o nome será aprovado.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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