Josias de Souza

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Emendas financiam boxe no qual contribuintes entram com a cara

O Orçamento da União é o único lugar onde luta de boxe pode virar pescaria. Ali, uma ONG que leva esporte gratuito às praças do Rio de Janeiro pescou R$ 279 mil em verbas federais para comprar kits de boxe mesmo sem ter a luta no seu cardápio de modalidades esportivas. O dinheiro migrou dos cofres do Tesouro para o ringue fictício graças a uma emenda do deputado Pedro Paulo, amigo do prefeito carioca Eduardo Paes, um chapa de Lula.

Na campanha, Lula prometeu enquadrar a bancada que Bolsonaro cevou com o orçamento secreto. Sabia que seria difícil acender a luz. Eleito, desistiu de tentar. Hoje, mantém ministro indiciado na Esplanada. E finge não ver pescarias predatórias como a que levou quase meio bilhão de reais ao cesto de sete ONGs mal-assombradas de 2021 a 2023.

A coisa vem sendo esmiuçada pelo UOL na série de reportagens "Farra das ONGs". No caso da suposta compra de sacos de pancada e luvas de boxe, o deputado Pedro Paulo seguiu o roteiro clássico. Alegou ter destinado as verbas a uma universidade, a Unirio. Alegou não ter "ingerência" sobre a aplicação.

Em meio à conversa mole, a reportagem apalpou ofícios nos quais o deputado informa à universidade os nomes das ONGs destinatárias da verba. Apanhado no contrapé, lavou as mãos. Alegou que não cabe ao autor da emenda zelar pela qualidade do gasto.

É sempre assim. Quando a imprensa ou a Polícia Federal chegam no lance, os autores de emendas malcheirosas tapam o nariz e se fingem de mortos. O acúmulo de desvios conduz a uma conclusão e um aviso. Primeiro a conclusão: Nunca foi tão fácil ser descuidado com o dinheito dos outros. Por fim, o aviso: Se você não usa a cabeça na hora de votar, usará o bolso. No boxe das emendas, o contribuinte entra com a cara.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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