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Josmar Jozino

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Justiça condena 6 pessoas por roubo de 734 kg de ouro em aeroporto de SP

Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

31/03/2021 09h12

A Justiça condenou na noite de ontem os seis homens acusados de roubar 734 kg de ouro avaliados em R$ 117,3 milhões do setor de cargas do Aeroporto Internacional de Guarulhos (Grande São Paulo), no dia 25 de julho de 2019.

A sentença foi dada pelo juiz Gilberto Azevedo de Moraes Costa, da 6ª Vara Criminal de Guarulhos. As penas impostas aos réus variam de 24 anos e dois meses a 43 anos e dois meses de prisão.

  • Marcelo Ferraz da Silva e Joselito de Souza foram condenados a 43 anos e dois meses cada um;
  • Francisco Teotônio da Silva Pasqualini e Peterson Brasil foram condenados a 39 anos e sete meses cada um;
  • Célio Dias foi condenado a 31 anos e um mês;
  • Peterson Patrício foi condenado a 24 anos e dois meses;

Como a decisão judicial é de primeiro grau, cabe recurso para a defesa dos acusados. O processo está em segredo de justiça e, por isso, advogados não podem falar sobre o assunto.

Segundo o magistrado, Francisco Pasqualini, conhecido como "A Mente do Crime", foi o autor intelectual do roubo. Peterson Brasil aliciou o amigo de infância Peterson Patrício, funcionário do aeroporto, e intermediou a comunicação entre os demais integrantes da organização criminosa para o planejamento do crime.

Francisco Pasqualini, é conhecido como "A Mente do Crime" - Reprodução - Reprodução
Francisco Pasqualini, é conhecido como "A Mente do Crime"
Imagem: Reprodução

Marcelo Ferraz e Joselito foram apontados como os coordenadores da parte operacional, como aquisição de armamentos e adulteração dos veículos utilizados na ação. Célio Dias ajudou na subtração das cargas.

As investigações apuraram que Peterson Patrício monitorava os carregamentos de ouro que chegavam ao aeroporto e repassava detalhadamente as informações aos comparsas.

Na sentença, o juiz observou que, dias antes do roubo, o bando sentiu uma certa hesitação por parte de Peterson Patrício em participar do assalto e, por isso, decidiram sequestrar a família dele como forma de simular um álibi e impedir que ele desistisse da empreitada criminosa.

Além dos 734 kg de ouro os ladrões também roubaram 18 relógios e um colar avaliados em R$ 94 mil e 15,17 kg de esmeraldas no valor de US$ 26,6 mil (R$ 153 mil na cotação de hoje).

Os assaltantes usaram uniformes da Polícia Federal e se passaram por agentes para entrar no terminal de cargas do aeroporto, em dois veículos caracterizados falsamente como viaturas da PF.

A quadrilha, agindo com violência, obrigou os funcionários do aeroporto a colocar a carga na caçamba de uma caminhonete. Os ladrões fugiram em direção a um depósito de materiais na zona leste da capital paulista.

Peterson Patrício simulou que havia sido colocado em liberdade e procurou a polícia, se passando por vítima dos criminosos. Os demais assaltantes foram para um estacionamento, onde Célio Silva trabalhava.

A carga foi colocada dentro de uma ambulância e levada para local ignorado. Até hoje os 734 kg de ouro e as joias roubadas pelos criminosos não foram recuperados.

Apontado como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), Francisco Pasqualini participou de outros assaltos cinematográficos, como divulgou o UOL em 3 de fevereiro deste ano.

Um dos roubos foi realizado no Paraguai. Os ladrões explodiram a sede da Prosegur em Ciudad del Este, arrobaram o cofre e fugiram levando US$ 11 milhões (R$ 63 milhões na cotação de hoje).