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Josmar Jozino

Soldado sumido em Heliópolis era da mesma turma de PM morta em Paraisópolis

Soldados Leandro Martins, desaparecido, e Juliane dos Santos Duarte, morta em 2018, em destaque na foto - Acervo Pessoal
Soldados Leandro Martins, desaparecido, e Juliane dos Santos Duarte, morta em 2018, em destaque na foto Imagem: Acervo Pessoal
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

04/06/2021 04h00

A soldado Juliane dos Santos Duarte, 27, assassinada em agosto de 2018 na favela Paraisópolis, e o soldado Leandro Martins Patrocínio, 30, desaparecido desde as 22h30 do último sábado (29) após entrar na favela Heliópolis, eram da mesma turma e ingressaram na Polícia Militar em 2016.

Juliane foi morta por integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). A soldado tinha ido a um bar na favela e criminosos descobriram que ela era policial. Os assassinos a sequestraram, a torturaram e depois a mataram a tiros. O corpo foi encontrado no porta-malas de um veículo.

O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, investiga o desaparecimento de Leandro e acredita que o soldado foi sequestrado e pode ter sido assassinado também a mando da facção criminosa que matou Juliane.

Leandro foi visto pela última vez na noite de sábado, após descer na estação Sacomã da linha 2-verde do metrô. Imagens de câmeras de segurança da região mostram o soldado caminhando a pé, sozinho, até entrar na favela de Heliópolis.

O relógio dele foi encontrado — e reconhecido por familiares — em um sobrado ao lado de uma casa noturna da comunidade. No imóvel havia uma corrente de ferro e manchas de sangue em um colchão. Também foram apreendidos no local materiais usados para armazenar drogas.

Há informações de que o sobrado onde estava o relógio do soldado foi usado como cativeiro. A casa noturna ao lado do imóvel seria de um integrante do PCC preso na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, reduto de homens do alto escalão da facção criminosa. As investigações apontam que Leandro gastou R$ 12,00 no cartão e que pode ter ido a um baile funk antes de sumir.

A Polícia Civil recebeu denúncias anônimas informando que o soldado foi enforcado e que o corpo havia sido enterrado em um terreno da Petrobras situado nas proximidades da favela Heliópolis. Policiais militares do Corpo de Bombeiros realizam há dois dias buscas no local à procura de Leandro.

A favela Heliópolis está cercada desde domingo por homens da Tropa de Choque da Polícia Militar. Até a noite desta quinta-feira (3) havia informações de que dois suspeitos tinham sido mortos em tiroteios distintos com PMs.

As buscas pelo soldado Leandro devem ser retomadas na manhã desta sexta-feira. A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana estão usando cães farejadores para auxiliar nos trabalhos. Todos os batalhões do Comando de Choque estão mobilizados, inclusive o COE (Comando e Operações Especiais).

Leandro e Juliane eram da mesma turma de 2016. Ambos ingressaram na Polícia Militar e foram trabalhar no Batalhão Rodoviário. Ele foi para Campinas, onde ficou durante três anos.

O soldado é casado e tem uma filha de um ano e nove meses. Ele vinha trabalhando no posto militar rodoviário do sistema Anchieta-Imigrantes, no Sacomã, e deveria entrar no serviço na madrugada de domingo.

Juliane ficou um ano no Batalhão Rodoviário. Quando foi sequestrada por integrantes do PCC na favela Paraisópolis, ela era lotada na 2ª Companhia do 3º Batalhão Policial Militar, na Vila Guarani, zona sul de São Paulo. Quatro homens acusados de envolvimento no assassinato dela foram presos.