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Josmar Jozino

Ladrões levam seis fuzis de base da Polícia Militar Rodoviária em Santos

Getty Images
Imagem: Getty Images
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

05/11/2021 04h00Atualizada em 05/11/2021 14h30

A Polícia Militar segue sem pista dos ladrões que invadiram a 3ª Companhia do 1º Batalhão de Policiamento Rodoviário (1º BPRv) em Santos (SP) e levaram seis fuzis e caixas com farta munição.

O crime aconteceu entre a noite de quinta-feira (28) e madrugada de sexta-feira (29). O posto da Polícia Militar Rodoviária fica no bairro Monte Cabrão, na altura do KM 246 da rodovia Manoel Hipólito do Rêgo.

Um IPM (Inquérito Policial Militar) foi aberto para apurar o caso. As circunstâncias do furto das armas continuam um mistério para a Corregedoria da corporação.

O sumiço do armamento só foi notado por volta das 14h30 de sexta-feira, quando policiais militares assumiram o posto para cumprir a escala de trabalho. Era véspera do feriado prolongado de Finados.

Os fuzis e a munição estavam na sala de reserva das armas. Uma escada de alumínio de 12 degraus, dobrável, foi encontrada na parte externa da base militar, do lado direito, na área de matagal, perto do setor de preleção.

Foram levados dois fuzis de calibre 5,56, da marca Imbel; dois de calibre 7,62, da Scar, e dois também de calibre 7,62, modelo FAL. Os criminosos furtaram ainda caixas de munição contendo um total de 200 projéteis.

A Delegacia Sede de Vicente de Carvalho, no Guarujá, Baixada Santista foi comunicada sobre o furto e acionou a Polícia Científica para realizar perícia no local.

Peritos do Instituto de Criminalística colheram impressões digitais na escada de alumínio deixada para trás pelos ladrões, e também na sala onde as armas estavam guardadas.

Os policiais militares que notaram a falta das armas e os colegas de farda que trabalharam no turno anterior serão ouvidos no IPM instaurado pela Corregedoria.

Segundo informações da Polícia Civil de Santos, o posto da Polícia Militar Rodoviária no bairro Monte Cabrão abre às 9h e costuma fechar por volta das 17h.

Furto na Rota

Essa não é a primeira vez que armas são furtadas de um batalhão da Polícia Militar. Em setembro de 2013 foi descoberto o sumiço de 31 pistolas automáticas no 1ºBPChoque (1º Batalhão de Choque) no quartel da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).

A Polícia Civil apurou que uma das pistolas furtadas foi usada por Everaldo Severino da Silva Félix, o "Sem Fronteira", chefe do PCC (Primeiro Comando da Capital) na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, para matar o soldado Genivaldo Carvalho Pereira, 44.

O crime aconteceu em 21 de março de 2013. O policial militar tinha uma namorada em Paraisópolis. O irmão dela, à época, estava preso no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Jundiaí (SP).

"Sem Fronteira" foi preso por tráfico de drogas em maio de 2014 e saiu em liberdade condicional em novembro de 2016. Em agosto de 2018, ele foi preso novamente, dessa vez acusado de ter mandado matar a policial militar Juliane dos Santos Duarte, também na favela de Paraisópolis.

Das 31 pistolas furtadas no quartel da Rota, apenas a utilizada por "Sem Fronteira" foi recuperada. O medo das forças de segurança é de que as armas furtadas no 1º Batalhão de Choque e no posto do 1º Batalhão de Policiamento Rodoviário sejam usadas para reforçar o arsenal do PCC.

O Comando de Policiamento Rodoviário informou que o fato ocorrido em Santos está sendo rigorosamente apurado por meio de competente Inquérito Policial Militar instaurado.

De acordo com o Comando de Policiamento Rodoviário, as perícias e diligências buscarão a autoria para a rigorosa responsabilização e recuperação do armamento subtraído