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Josmar Jozino

SP: Mortos na guerra do PCC desviaram R$ 500 milhões de garagens de ônibus

Favela de Paraisópolis, em São Paulo - gettyimages
Favela de Paraisópolis, em São Paulo Imagem: gettyimages
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

24/05/2022 09h04

A Polícia Civil paulista identificou como Gilmar Mendes dos Santos, 40, o Giba, e Anderson dos Santos Martins, 36, o Dinho, os dois homens encontrados mortos no último domingo (22) no porta-malas de um Fiat Pulse abandonado em Embu das Artes, na Grande São Paulo.

Ambos são as vítimas mais recentes da guerra interna do PCC (Primeiro Comando da Capital). Eles foram mortos pelo "tribunal do crime" da facção criminosa por suspeita de desviar R$ 500 milhões de garagens de ônibus da capital paulista.

Giba e Dinho foram sequestrados na tarde de sábado (21) e levados para a Favela de Paraisópolis, na zona sul.

"O tribunal do crime" considerou os dois culpados pelo desvio de meio bilhão de reais de ao menos duas garagens de ônibus da zona leste paulistana ligadas ao PCC e os decretou à morte.

As tatuagens no peito com os nomes do pai, da mãe e da mulher ajudaram a Polícia Civil a identificar Dinho. No corpo de Giba havia tatuagens nos braços e tórax. Eles apresentavam ferimentos no pescoço. Os dois foram reconhecidos por familiares.

A coluna apurou que um advogado cuidava da lavagem do dinheiro desviado pela dupla e também foi jurado de morte pelo PCC.

Fontes disseram à coluna que o advogado conseguiu cidadania norte-americana e pode ter fugido para os Estados Unidos por medo de ser assassinado.

As mesmas fontes contaram também que Giba está por trás da morte de Noé Alves Schaun, 42, morto em janeiro deste ano sob a acusação de ter matado Anselmo Becheli Santa Fausta, 38, o Cara Preta, apontado como um narcotraficante e fornecedor de drogas e armas para o PCC.

Bancos e carros-fortes

Em 2006, quando cumpria pena na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, Giba, condenado em primeira instância a 40 anos por extorsão mediante sequestro, estava na lista dos 25 ladrões de banco mais perigosos do Brasil.

Giba foi acusado de sequestrar, com outros comparsas, familiares de funcionários da Caixa Econômica Federal de Natal, (RN), em junho de 2005. Os reféns seriam libertados em troca de dezenas de quilos de ouro guardados no cofre da instituição financeira.

A ação foi frustrada pela polícia e Giba fugiu para Pernambuco, onde havia participado em 2004 do ataque a um carro-forte de uma transportadora de valores em Jaboatão dos Guararapes. O assaltante acabou preso na Praia de Boa Viagem, em Recife.

Além de Catanduvas, o criminoso ficou recolhido na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Ele passou ainda por várias unidades prisionais, até fugir da Penitenciária de Itamaracá, em Pernambuco, em 25 de fevereiro de 2012.

O comparsa Dinho também ingressou cedo no mundo do crime. Em março de 2005, quando já tinha completado 19 anos, ele e outros sete assaltantes tentaram roubar uma agência da Caixa Econômica Federal de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

O bando sequestrou a tesoureira do banco. Ela foi rendida quando chegava ao trabalho. Mas o plano não deu certo e os ladrões foram presos em flagrante. Por esse crime, Dinho foi condenado a sete anos de prisão. Ele estava em liberdade desde 27 de maio de 2019.

As disputas por poder e dinheiro dentro da principal organização criminosa do Brasil são narradas na segunda temporada do documentário do "PCC - Primeiro Cartel da Capital", produzido por MOV, a produtora de documentários do UOL, e o núcleo investigativo do UOL.