Josmar Jozino

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Família diz que homem foi agredido por vizinho em SP e aponta omissão da PM

Wellington Santos Sousa, 27, está entre a vida e a morte em um hospital de Guarulhos, na Grande São Paulo. Na madrugada de sábado (2), ele foi espancado por um vizinho após discussão. A família diz ter procurado a Polícia Militar e apontou descaso da corporação.

Dias atrás, o agressor dele havia batido em uma mulher. Wellington o chamou de covarde. Em razão disso, ele sofreu uma emboscada e acabou atacado.

Parentes de Wellington dizem ter ligado ao menos 15 vezes para a Polícia Militar — comunicando o caso e também pedindo providências urgentes para que o agressor fosse localizado e preso. A família alega ter sido tratada com descaso.

A advogada de Wellington, Tania de Moraes Melo, afirmou que, além da falta de atendimento da PM, a Polícia Civil também não quis registrar um boletim de ocorrência. Familiares tentaram fazer um boletim eletrônico, mas o registro foi indeferido por se tratar de uma denúncia de agressão — que deve ser feita presencialmente.

Tania contou que foi ao 1º Distrito Policial de Guarulhos, mas a equipe de plantão não registrou a ocorrência porque a área onde aconteceu o fato não era da jurisdição daquela delegacia. Segundo a advogada, por causa do descaso das polícias, o agressor se livrou do flagrante e ainda não foi preso. A defensora disse que vai prestar queixa-crime hoje (5) no 9º DP de Guarulhos.

A família da vítima informou ainda que somente às 11h30 de segunda-feira (4), policiais militares compareceram ao hospital onde Wellington continua internado, mas foram embora em seguida sem levar o caso ao conhecimento da Polícia Civil, alegando que não era competência deles fazer isso.

Em nota, a SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública) informa que a PM teve o acionamento dispensado pelo solicitante em virtude da remoção realizada pelo Samu. A pasta diz que os policiais se dirigiram ao hospital onde os familiares informaram o ocorrido e disseram que fariam o registro na delegacia.

Em relação ao boletim de ocorrência, a nota afirma que, por conta da gravidade dos fatos comunicados e da escassez de informações, não é permitido que a solicitação seja aceita por meio de plataforma online, já que havia a possibilidade de envolver tentativa de homicídio.

A SSP acrescenta que, ciente dos fatos, o 9º DP de Guarulhos elaborou uma ocorrência de ofício para início das investigações e que a autoridade policial está à disposição dos familiares para formalização da denúncia e apuração de todas as circunstâncias do ocorrido visando seu esclarecimento.

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A agressão aconteceu por volta das 4h de sábado na Vila Sítio dos Morros, em Guarulhos. Wellington foi levado para o HMU (Hospital Municipal de Urgência) e depois transferido para a UTI do Hospital e Maternidade Guarulhos — onde ele está intubado.

Familiares e amigos de Wellington fizeram fotos dele após o espancamento — ele aparece ensanguentado, com vários ferimentos no rosto, cabeça e braços.

O nome e a foto do suspeito de agressão foram repassados à reportagem. A coluna, entretanto, não vai divulgá-los porque não conseguiu contato com ele nem com os seus defensores.

Estado de saúde gravíssimo

Segundo o relatório médico do Hospital e Maternidade de Guarulhos, assinado na manhã de ontem, o paciente apresenta traumatismo craniano grave, trauma de face com múltiplas fraturas e segue em acompanhamento com equipes de neurocirurgia e bucomaxilofacial.

O médico que assina o documento também afirmou que Wellington não tem alta prevista da UTI por causa do estado gravíssimo e que permanecerá intubado, recebendo sedação, sem perspectiva para a interrupção da ventilação mecânica.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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