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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Monique admite mentira e diz que não foi ela que encontrou Henry morto

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

21/04/2021 04h00

A coluna apurou que Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, relatou nos últimos dias que não foi ela quem encontrou o menino caído no chão do quarto de casal do apartamento, na madrugada de 8 de março, quando ele morreu.

Em seu primeiro depoimento, Monique tinha dito à polícia que dormiu assistindo à TV junto com o vereador no quarto de hóspedes. Depois disso, ela falou que teria acordado de madrugada e encontrado Henry caído no chão. Nos últimos dias, porém, a mãe de Henry relatou que foi obrigada pelo companheiro a inventar essa versão porque "seria melhor até para ela".

O pai do menino Henry Borel já tinha apontado essa questão como uma contradição que aparecia nos depoimentos prestados à polícia por Jairinho e Monique. Segundo a defesa do engenheiro Leniel Borel, ao chegar ao hospital Barra D'Or, onde Henry deu entrada já sem vida, o pai do menino ouviu de Monique que o vereador já estava ao lado da criança quando chegou ao quarto do casal e encontrou Henry no chão.

Ela está presa desde o dia 8 de abril e é investigada junto com o vereador Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho pela morte do menino. Diagnosticada ontem com covid-19, ela foi encaminhada ao Hospital Penal Hamilton Agostinho, no complexo de Gericinó, em Bangu.

Procurada, a defesa de Monique disse que não podia dar detalhes sobre o episódio porque aguarda resposta para o pedido de um novo depoimento feito junto à 16ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro. O laudo de necropsia de Henry indicava diversas lesões no corpo e mostrou o fígado da criança dilacerado. A polícia ainda não disse se fará novo interrogatório.

Agressões de Jairinho

A coluna apurou que, nos últimos dias, Monique ainda tomou conhecimento de que outras mulheres que se relacionaram com o vereador relataram que suspeitam ter recebido bebidas com remédios diluídos. "Ela começou a chorar quando ouviu isso porque também acontecia com ela", diz um interlocutor da professora. Ao menos três mulheres relataram agressões e duas delas também tiveram filhos agredidos.

Como a coluna revelou na semana passada, a mãe de Henry relatou que, como as outras ex-companheiras, também foi agredida. A defesa dela confirmou ao UOL nesta terça-feira que desde o final do ano passado ela sofreu agressões físicas e verbais do parlamentar.

Em um dos episódios de violência, Jairinho teria pulado o muro da casa onde Rosângela Medeiros, avó materna do menino, mora e a esganou no quarto. Já no apartamento do casal, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, Monique Medeiros contou que "Henry dizia que queria dormir com a mãe na cama do casal, porque quando dormia com eles 'o tio Jairinho não brigava com a mamãe'", afirmou Thaise Assad, uma das advogadas de defesa.

Procurada, a defesa do vereador não retornou aos contatos da coluna.