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Dal Piva: Tarcísio vê na greve chance de reconexão com direita bolsonarista

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) vê na greve contra as privatizações do Metrô, da CPTM e da Sabesp uma chance de reaproximação com a direita bolsonarista, afirmou a colunista do UOL Juliana Dal Piva no UOL News desta tarde de terça-feira (3).

Para ela, é "curioso" o governador falar que a greve é política.

Eles [núcleo bolsonarista] estão enxergando na greve de hoje e nas consequências dela para a população, uma oportunidade. Tarcísio está enxergando neste dia uma oportunidade de se reconectar com a direita mais extrema e com a direita bolsonarista.

Ele passou meses tentando fazer acenos ao centro, em algum conflito e, por vezes, uma crítica ao próprio Bolsonaro. Isso é uma coisa que desgasta boa parte da base que ajudou ele a vencer essa eleição e se tornar governador de São Paulo.

O dia de hoje permite ele explorar os efeitos negativos, do que aconteceu e dessa dificuldade para a população, passando esse discurso de que tem que privatizar, sem discussão e sem analisar essas questões. Ele está enxergando nisso tudo um grande momento para ele.

Dal Piva diz que Tarcísio também vê uma chance de empurrar o prefeito Ricardo Nunes (MDB) para a direita.

Inclusive, também, para empurrar o prefeito Ricardo Nunes para a direita. O bastidor dessa greve é todo eleitoreiro. O prefeito também tem feito acenos ao centro porque o momento político mudou, já que não é favorável à direita.

Todo mundo quer disputar um pouco o centro pensando na eleição do ano que vem. Dentro do bolsonarismo, é um dia para puxar todo mundo mais à direita.

Sâmia: Tarcísio acha que população não tem civilidade para catraca livre

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A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) disse no UOL News da tarde desta terça-feira (3) que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mostra "desconhecimento" e "preconceito" com a população ao não permitir catraca livre no metrô e na CPTM na greve de hoje.

Sindicatos propuseram trocar a greve do transporte sobre trilhos pela não cobrança de tarifa, o que não foi aceito pelo governo - decisão chancelada pela Justiça. Em coletiva nesta manhã, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que "liberar a catraca é colocar o cidadão em risco, é perder o controle do cidadão na plataforma".

O que a população está passando no dia da greve de hoje, que, repito, não era o objetivo inicial do sindicato que propôs catraca livre e o governador negou porque acha que a população não tem condições de educação, cultural e civilidade para conseguir utilizar um serviço gratuito, mostrando desconhecimento e preconceito grande com a população pobre.
Sâmia Bomfim, deputada federal

Tarcísio é leão com trabalhadores e gatinho com a CCR, diz sindicalista

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, trata de forma desigual trabalhadores e concessionárias do Metrô e ignora que a população sofre todos os dias "no caos das linhas privatizadas", afirmou a presidente do Sindicato dos Metroviários, Camila Lisboa, em entrevista no UOL News da tarde desta terça-feira (3).

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O governador não aplicou a agressividade que está aplicando contra os trabalhadores hoje contra os empresários do grupo CCR, que são os responsáveis pelo caos que está acontecendo na linha privatizada. Lamento que o governador não se solidarize com a vida e a situação das pessoas que todos os dias estão vivendo o caos das linhas privatizadas. Ele vem como um leão em cima da mobilização dos trabalhadores, mas fica como um gatinho em relação a todos os problemas causados pelas linhas privatizadas e operadas pelo grupo CCR.

Ele também não dialoga em nada com a realidade da população que todos os dias sofre no caos das linhas privatizadas, que são as linhas 8 e 9. Eram linhas muito bem avaliadas pela população e, desde a concessão para a ViaMobilidade em 26 de janeiro de 2022, aconteceram oito descarrilamentos na linha 8, um descarrilamento na linha 9, sucessivas falhas e trem andando com porta aberta.

Tarcísio classificou a greve da categoria como ilegal e abusiva e disse que o movimento reforça a decisão do governo de estudar a privatização das linhas do Metrô e CPTM.

Governador não julga se a greve é legal ou abusiva, é a Justiça que julga. Ele está dizendo que a greve é abusiva e ilegal da cabeça dele. A Justiça não julgou. Os trabalhadores do Metrô, da CPTM e da Sabesp estão exercendo seu direito de greve.

Não se trata de interesse corporativo, pois estamos falando da situação do transporte público. Uma vez que todas as linhas de metrô e trem sejam privatizadas, isso vai ter um impacto enorme na vida da população. Desde que privatizou o trem e o metrô no Rio de Janeiro, por exemplo, se tornaram as tarifas mais caras do Brasil.

Camila questiona a razão de Tarcísio não se solidarizar com os trabalhadores que sofreram problemas nas linhas privatizadas.

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Com isso ele não se solidariza. Quantas pessoas não perderam seus empregos? Quantas pessoas não deram com a cara na porta das estações porque o trem não estava funcionando? Quantas pessoas não passaram por diversos sofrimentos desde janeiro do ano passado?

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