PUBLICIDADE
Topo

Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Michelle Bolsonaro implodiu chance de mãe de Flávio ser suplente de Romário

Rogéria com o filho Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro - Reprodução/ Instagram
Rogéria com o filho Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro Imagem: Reprodução/ Instagram
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

17/05/2022 10h58Atualizada em 17/05/2022 16h05

A costura política que estava em andamento para que Rogéria, mãe de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, fosse a primeira suplente na chapa de Romário (PL-RJ) ao Senado nas eleições deste ano implodiu e o motivo disso tem nome: Michelle Bolsonaro. Assim que soube da possibilidade, a primeira-dama torceu o nariz e auxiliares do presidente relataram que ele não fará contestação ao veto da atual mulher. Segundo relatos de interlocutores do presidente feitos à coluna, Jair Bolsonaro disse que "não quer esse problema".

A ideia de lançar Rogéria como suplente de Romário veio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) há algumas semanas. A opção foi revelada em uma reportagem do jornalista Gabriel Saboia, no jornal O Globo. Na análise do primogênito de Bolsonaro, a opção pela mãe dos três filhos mais velhos do presidente poderia mostrar proximidade do ex-jogador junto ao clã e se contrapor às críticas que são feitas a Romário. Entre os bolsonaristas mais radicais, há a defesa de lançar o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) para a vaga no Senado.

No entanto, devido à oposição de Michelle, o nome de Rogéria já está descartado na chapa de Romário e o PL discute outras opções.

A coluna apurou que essa não é a primeira vez que a primeira-dama se opõe a uma candidatura da primeira mulher de Bolsonaro dentro do partido em que o presidente está filiado. Em 2018, teria ocorrido movimento semelhante. Tanto que ela se filiou ao PSL, mas acabou não concorrendo a nenhum cargo.

Rogéria já foi vereadora por dois mandatos (1993-2000) e deixou a Câmara Municipal em 2001, após a separação de Bolsonaro. Na ocasião, ela perdeu a eleição e Carlos obteve seu primeiro mandato como vereador, aos 17 anos. O período eleitoral foi conturbado, já que Bolsonaro incentivou a candidatura do filho justamente em função do divórcio com Rogéria, quando passou a viver com Ana Cristina Siqueira Valle, a segunda mulher de Bolsonaro.

Depois de 2001, Rogéria não disputou outros cargos. Em 2020, ela se filiou ao Republicanos e disputou novamente uma vaga na Câmara Municipal, mas não conseguiu se eleger. Obteve 2.034 votos.

Rogéria, porém, não é a única a sofrer oposição. A advogada Ana Cristina Valle também enfrenta barreiras. Por isso, segue caminho fora dos partidos de Bolsonaro. Em 2018, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Podemos e neste ano pretende concorrer a deputada distrital no DF. Desta vez, vai pelo PP.