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Kennedy Alencar

Acusação leve contra policial que matou Breonna Taylor gera protesto no EUA

Breonna Taylor, a vítima da polícia na própria casa que inspirou campanha por justiça - Reprodução/Facebook
Breonna Taylor, a vítima da polícia na própria casa que inspirou campanha por justiça Imagem: Reprodução/Facebook
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

23/09/2020 15h31

Numa etapa crucial do caso Breonna Taylor, apenas um dos três policiais envolvidos na execução da jovem de 26 anos foi acusado por um júri no estado do Kentucky. Segundo os jurados, o ex-detetive Brett Hankinson responderá a três acusações de primeiro grau por agir de forma perigosa e culposa.

Já há um protesto na maior cidade do estado, Louisville, da parte de manifestantes decepcionados com a possibilidade da punição branda a Hankinson e de impunidade aos outros dois policiais que participaram da ação que matou Breonna Taylor. A acusação contra Hankinson é considerada leve. A família da vítima queria a possibilidade de punição mais rigorosa, como homicídio qualificado.

"Sem Justiça, Não Há Paz" ("No Justice, No Peace", em inglês) é um lema dos protestos recentes contra o racismo estrutural e a violência policial que pode ser aplicado ao caso de Breonna Taylor.

Na noite de 13 de março passado, ela recebeu, pelo menos, cinco tiros enquanto dormia no seu apartamento. Os policiais tinham um mandato de busca e apreensão de drogas. Não foi encontrada nenhuma droga na sua residência. Trata-se de mais um caso de violência contra negros nos Estados Unidos.

Daniel Cameron, procurador-geral do estado do Kentucky, disse em pronunciamento nesta terça-feira que sabe que "haverá decepção" com o resultado do júri. Ele afirmou que "não é justiça" uma vingança de manifestantes decepcionados que eventualmente recorram a protestos violentos.

Segundo ele, as provas e evidências do caso de Breonna Taylor seriam diferentes de outros episódios de repercussão nacional, como o de George Floyd, que morreu por asfixia após um policial se ajoelhar no seu pescoço em 25 de maio passado. O procurador-geral do Kentucky disse que "a lei e a ordem" serão mantidas no estado. A Guarda Nacional foi acionada para agir caso os protestos se tornem violentos. Há uma ordem de toque de recolher a partir das 21h em Louisville.

Daniel Cameron afirmou que o namorado de Breonna Taylor, Kenneth Walker, atirou primeiro nos policiais, achando que seriam invasores. Após um policial ser atingido, os agentes da lei teriam começado a revidar, disse o procurador-geral do Kentucky. De acordo com ele, esses seriam os fatos que justificariam a decisão do júri. "Meu trabalho era colocar as emoções de lado e determinar se as violações criminais da lei estadual resultavam na perda de sua vida."

O ex-detetive Brett Hankinson ainda será julgado. Os jurados entenderam que ele colocou os vizinhos de Breonna Taylor em risco pela forma como agiu.

A família de Breonna Taylor assinou recentemente com as autoridades de Louisville um acordo de indenização civil de US$ 12 milhões.

O procurador Daniel Cameron foi um dos poucos negros que discursaram a favor de Donald Trump na Convenção Nacional Republicana no mês passado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.