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Kennedy Alencar

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Estudo dos EUA aponta desmonte autoritário de políticas públicas no Brasil

Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

22/07/2021 21h42

O governo Bolsonaro promove "um desmonte autoritário das políticas públicas", diz um estudo do Centro de Estudos sobre o Brasil da Universidade de Oklahoma (EUA). O levantamento foi realizado pela professora assistente de estudos internacionais Michelle Morais de Sá e Silva.

Alternâncias naturais de poder geram mudanças na máquina pública dos países. Mas o que aconteceu no Brasil, com a ascensão da extrema-direita nas eleições de 2018, desencadeou mudanças de destruição do estado e retrocessos nas políticas social, ambiental, diplomática, de direitos humanos e educacional, aponta o estudo, que entrevistou 337 servidores e ex-funcionários públicos.

Segundo Michelle, que se descreve como "otimista", seria possível reverter esses retrocessos no espaço de um mandato presidencial, se Bolsonaro não obtiver um segundo termo. "Mas vai dar trabalho", avisa. Veja acima a íntegra da entrevista ao UOL News, concedida na noite desta quinta-feira.

A professora da Universidade de Oklahoma conta que ocorre no Brasil uma política de desmonte marcada pelo "autoritarismo" que afeta as estruturas profissionais da burocracia. Bolsonaro vê o funcionalismo público como "esquerdista, petista e comunista", o que o levou a promover expurgos em cargos de chefia em repartições que cuidavam de políticas públicas importantes.

Nas entrevistas com servidores e ex-servidores federais, foram comuns relatos de que está em curso "um projeto explícito de destruir o Estado". Há afirmações de servidores que contavam os dias para se aposentar. Revelações de que funcionários qualificados se abrigaram em funções mais simples para esperar "Bolsonaro passar". Relatos apontam extinção de departamentos inteiros em alguns ministérios.

No fundo, Bolsonaro faz um desmonte por desconfiar do funcionalismo. Ao tratar os servidores como inimigos, o governo estimula o fenômeno de fuga de cérebros da máquina pública e do Brasil. O estudo revela que há uma política de nomear militares e evangélicos para funções de chefia nos ministérios, um aparelhamento típico do bolsonarismo.

Além de professora assistente da Universidade de Oklahoma, Michelle Morais de Sá e Silva tem doutorado pela Universidade de Columbia e é codiretora do Centro de Estudos sobre o Brasil da Universidade de Oklahoma.