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Kennedy Alencar

REPORTAGEM

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Sem Datena no páreo, França deve disputar Senado e apoiar PT para governo

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Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

30/06/2022 16h53Atualizada em 30/06/2022 20h05

Com a desistência de José Luiz Datena (PSC) de concorrer ao Senado, o ex-governador Márcio França (PSB) deverá abandonar a pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes e apoiar Fernando Haddad (PT) ao governo do Estado.

França deverá ser candidato ao Senado, com apoio do PT e de outros partidos aliados. Numa conversa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta passada, o ex-governador alegou que, com Datena na disputa pelo Senado, ele teria uma eleição muito difícil. O principal obstáculo foi removido hoje com o anúncio de Datena de que continuará a ser apresentador de TV.

Efeito Datafolha

Havia expectativa no PT de que a pesquisa Datafolha, divulgada hoje, trouxesse Haddad em posição superior a França na disputa pelo governo, o que também reforça a articulação de Lula para que o ex-governador dê apoio ao petista na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. No cenário em que o ex-governador do PSB aparece como candidato ao governo, Haddad marca 28% contra 16% de França.

Esse dado fortalece a pressão pela saída de França da disputa pelo governo, aceitando concorrer ao Senado na chapa de Haddad. Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin estão empenhados nessa articulação.

No cenário sem França, Haddad obtém 34%. Em segundo lugar, estão numericamente empatados o governador Rodrigo Garcia (PSDB) e o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos com 13%.

Lula ganha, Bolsonaro perde

Com Datena fora da disputa eleitoral, há ganhos políticos para Lula e Haddad. Sem o apresentador de TV como candidato forte ao Senado, o palanque do presidente Jair Bolsonaro se enfraquece no principal colégio eleitoral do país, o que é positivo para o ex-presidente petista.

Haddad ganha porque a saída de Datena facilita a articulação para obter o apoio de França ao mesmo tempo em que enfraquece a pré-candidatura de Tarcísio de Freitas, nome de Bolsonaro para o Palácio dos Bandeirantes.