PUBLICIDADE
Topo

PSOL quer convocar Moro por ausência de miliciano ligado a Flávio em lista

Gabriela Biló/Estadão
Imagem: Gabriela Biló/Estadão
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), “Escravidão Contemporânea” (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

31/01/2020 13h15

O Ministério da Justiça e Segurança Pública deixou o miliciano Adriano da Nóbrega, acusado de comandar o Escritório do Crime, um grupo de extermínio, de fora da lista dos bandidos mais procurados do Brasil, divulgada nesta quinta (31). Foragido há mais de um ano, ele também é acusado de assassinatos e de jogo ilegal.

"Vamos entrar com requerimento para exigir os critérios de inclusão utilizados na lista e o porquê da ausência de Adriano da Nóbrega", afirma o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). "E propor, já nesta terça (3), a convocação do ministro Sergio Moro para que explique essa ausência."

Reportagem de Ítalo Nogueira, da Folha de S.Paulo, constatou que Nóbrega, foragido há mais de um ano, não estava na relação divulgada. De acordo com o ministério, o ex-capitão do Bope não foi incluído porque "as acusações contra ele não possuem caráter interestadual, requisito essencial para figurar no banco de criminosos de caráter nacional".

Apesar disso, há outros dois milicianos que aparecem, no cadastro, tendo apenas o Rio como sua área de atuação. Moro afirmou, através de sua conta no Twitter, que foram adotados critérios técnicos e realizadas consultas aos Estados para organizar o cadastro.

No gabinete do então deputado estadual e, hoje, senador Flávio Bolsonaro, trabalhavam a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega. O miliciano foi homenageado pelo filho 01 do presidente da República, com a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2003.

O próprio Jair Bolsonaro o chamou de "um brilhante oficial", em discurso no Congresso Nacional quando deputado federal, após o miliciano ter sido condenado a quase duas décadas de prisão pela morte de um guardador de carros que teria denunciado extorsões de policiais a moradores de uma comunidade. Ele defendeu sua absolvição.

Segundo apontou levantamento da Agência Pública, Flávio foi o candidato mais votado em Rio das Pedras, território do Escritório do Crime, em 2018.

De acordo com Freixo, não existe justificativa pela ausência. "Se há qualquer criminoso do Rio de Janeiro na lista de mais procurados, tem que estar também o Adriano." De acordo com ele, que presidiu a CPI das Milícias, quando deputado estadual, em 2008, o Escritório do Crime tem envolvimento na morte de, provavelmente, dezenas de pessoas, incluindo a vereadora Marielle Franco - executada em março de 2018. E conta com agentes e ex-agentes públicos de segurança, promovendo corrupção.

"Ou o ministro é muito incompetente e esqueceu alguém que toda a Segurança Pública considera perigoso. Ou é pior, é conivência. Moro age mais uma vez para agradar ou não desagradar a família Bolsonaro", afirma Freixo.

De acordo com o deputado federal, o ministro está à frente de um ministério estratégico e importante e "precisa ter uma envergadura que não se submeta a interesses não éticos e pouco republicanos que a família Bolsonaro mantém".

Leonardo Sakamoto