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Coronavírus: Dez coisas que você precisa saber para atravessar a pandemia

OMS declara pandemia de coronavírus e alerta que números vão aumentar - Crédito: CDC
OMS declara pandemia de coronavírus e alerta que números vão aumentar Imagem: Crédito: CDC
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.

Colunista do UOL

14/03/2020 15h29

O coronavírus (ou Covid-19 ou SARS-CoV-2, é tudo o mesmo bicho), não será, como disse o R.E.M, o fim do mundo como o conhecemos, mas tampouco é "fantasia".

Baseado em uma entrevista com Marcelo Litvoc, médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e do Hospital Sírio-Libanês, a coluna organizou dez dicas para os leitores. Vale muito o lembrete dele: enfrentar a crise sem pânico, mas também sem desdém.

1) Para 80% das pessoas que pegam o vírus, os sintomas são os mesmos de resfriado ou gripe comum. Parte nem desenvolverá sintoma algum. E a doença vai embora como veio e, talvez, você nunca venha a saber que a teve. O problema é que o sistema de saúde não está preparado para aguentar um tsunami de gente vindo ao mesmo tempo, então é melhor que a infecção ocorra "em prestações". Assim, os doentes graves desta e de outras emergências poderão ser atendidos.

2) Uma minoria dos infectados, principalmente idosos e pessoas com questões de saúde (problemas cardíacos, diabetes descompensada, uso de quimioterapia), podem evoluir para quadros graves. Crianças têm pego o vírus, mas não apresentam sintomas ou os desenvolvem de forma muito leve. Antes de comemorar isso, saiba que gente sem sintomas também transmite - quem vê cara não vê pulmão. Por isso, cuidado para não passar adiante. Meu jovem, você pode ser invencível, mas seus pais e avós não são.

3) Beijar alguém infectado pega? Pega. Apertar a mão? Indiretamente, porque pessoas são nojentas e levam a mão suja à boca, coçam os olhos, roem as unhas, enfiam o dedo no nariz. Usar o mesmo copo, prato, talher com alguém doente sem lavá-lo antes? Pega. Compartilhar lençóis e toalhas usadas? Pega. Usar a mesma escova de dentes? Afe, fala sério... Transporte público? Evite locais lotados, mas lembre-se de lavar as mãos depois. Sexo? Putz, a um metro de distância, fica difícil.

4) Ficou triste porque não conseguiu comprar sua máscara? Relaxe. As comuns não são garantia de evitar contágio no dia a dia. Contudo, se ficar doente, com sintomas ou não, não deixe de usá-las, pois reduzem a chance de passar o vírus adiante. Se tiver sintomas e precisar sair de casa para ir ao médico, mesmo sem o diagnóstico, máscara. Se estiver tratando de um doente, máscara - depois de contato com ele, jogue-a fora imediatamente. Aliás, esse hábito deveria ser adotado até para resfriado: ficou doente e vai encontrar outras pessoas, máscara. Isso demonstra respeito pelos outros.

5) Prevenção simples funciona: Vire o maníaco da lavagem de mãos, com água e sabão, esfregando todos os cantos até o começo do braço. Por quanto tempo? Cante o refrão de "Evidências", começando por "E nessa loucura, de dizer que não te quero" até "Que ainda você quer viver pra mim". Mentalmente, por favor. Depois aprenda a espirrar e a tossir: use um lenço e, na falta deste, cubra a boca ou nariz com o braço. Álcool gel é mais prático, mas lembre-se: não tem fila para comprar sabão.

6) Evite aglomerações. Você não está em home office ou foi dispensado da escola ou da faculdade para ir ao cinema, à balada, ao rolezinho, ao culto religioso ou político, mas para não pegar, nem passar o vírus para um número grande de pessoas. Se não precisar viajar, não viaje. E lembre-se de quem trabalha para você, como empregadas domésticas. Não coloque as famílias delas em risco exigindo que elas venham cuidar da sua.

7) Testes podem dar falso negativo, principalmente se você estiver sem sintomas ou, no começo, na chamada "fase de incubação" - que varia caso a caso, mas pode chegar a duas semanas. Então, se apesar de você ter tido contato com pessoas infectadas, seu teste deu negativo, mantenha o resguardo mesmo assim.

8) Febre baixa, tosse, coriza, cansaço, dor de cabeça, dor nas juntas? Se o pacote de sintomas for de uma gripe comum, fique em casa, beba água, coma bem, tome antitérmicos para aliviar o desconforto. Porque, aliás, pode ser uma gripe comum. Procure um posto de saúde apenas se piorar - com falta de ar, por exemplo. Evite hospitais logo de cara, que são para casos graves e você pode se contaminar por lá.

9) Se estiver doente, tente ficar em quarto separado, evitando visitas, com um número restrito de pessoas cuidando de você. E fique em casa até melhorar - lugar de gente doente é em casa, descansando. Quem tratar de você, tem também que ficar de molho, de olho na própria saúde, por duas semanas.

10) Não caia em não fake news, não há nada milagroso. Por enquanto, não existe remédio algum. Ou seja, a moléstia é enfrentada pelo sistema imunológico de cada um. Também não existe vacina ainda para evitar o vírus. Tomar chazinhos, gargarejar com vinagre, usar loló, não funciona, é tudo boato. O que pode ser útil é vacinar-se contra a gripe comum - isso não protege do coronavírus, mas evita o outro vírus influenza e, portanto, reduz a confusão no diagnóstico.

Por fim, um serviço: O Ministério da Saúde, através do Sistema Único de Saúde - tão maltratado por quem acha que bom mesmo é o modelo dos Estados Unidos, sem saúde pública gratuita - lançou um aplicativo para IOS e Android. Ele informa sobre sintomas, mostra quando é o momento de procurar ajuda e indica unidades de saúde próximas.

Leonardo Sakamoto