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Leonardo Sakamoto

Ao tentar entregar laranjas para Joice, comerciante é agredida em São Paulo

A pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, Joice Hasselman (PSL), em feira livre no bairro do Butantã - Reprodução/Andréa Costa
A pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, Joice Hasselman (PSL), em feira livre no bairro do Butantã Imagem: Reprodução/Andréa Costa
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), “Escravidão Contemporânea” (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

09/09/2020 15h51

Uma comerciante foi agredida, na manhã desta quarta (9), por uma pessoa que acompanhava a comitiva de Joice Hasselman (PSL), pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, em uma feira de rua no bairro do Butantã, em São Paulo.

Andréa Costa havia comprado um saco de laranjas e ia entregar como forma de protesto à deputada federal quando foi agarrada por trás e recebeu uma chave de braço. A coluna apurou que a agressão foi testemunhada por feirantes e consumidores.

Com o tumulto, a pré-candidata se dirigiu à vítima da agressão. "Disse a ela que havia comprado laranjas para entregá-las por causa do partido político do qual ela faz parte, mas que fui agredida por uma pessoa da sua equipe", afirmou à coluna.

"Joice conversava com um feirante quando uma mulher se aproximou com laranjas nas mãos para protestar sobre o suposto uso de candidaturas laranjas em diretórios do PSL", afirma a assessoria de comunicação da deputada federal. "Ela conversou com a mulher, reiterou que é, sim, a favor de que as denúncias sejam investigadas e argumentou que não pode ser julgada por atos de outras pessoas."

Também afirmou que a comerciante lhe relatou a agressão sofrida. "Mesmo não tendo visto nem sabido do ocorrido, a pré-candidata pediu desculpas e reafirmou seu repúdio a qualquer tipo de agressão", diz a assessoria.

A comerciante fez questão de entregar as frutas à pré-candidata, que as recebeu.

Costa afirma que, após o ocorrido, a agressora, que não pode ser identificada, ainda zombou dela e disse que ela poderia ir à polícia se quisesse.

Investigação do uso de "laranjas" pelo PSL

O PSL vem sendo alvo de investigações sobre o uso de candidaturas "laranjas" nas eleições de 2018. Uma série de reportagens do jornal Folha de S.Paulo, por exemplo, mostrou que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), comandou um esquema de desvio de recursos públicos usando candidaturas de fachada de mulheres.

Após a Polícia Federal tê-lo indiciado, em outubro, o Ministério Público em Minas Gerais o denunciou sob acusação de ter plantado um laranjal durante as eleições do ano passado, enquanto era presidente do PSL no estado. Uma das reportagens mostrou, aliás, que parte dos recursos foi usada para produzir material de campanha não apenas para sua candidatura a deputado federal, mas também para Jair Bolsonaro.

Colaborou Piero Locatelli.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Leonardo Sakamoto