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Leonardo Sakamoto

Boulos vai à Justiça contra Russomanno por associá-lo a edifício incendiado

Vídeo da campanha de Celso Russomanno faz associação falsa de Guilherme Boulos com ocupação que pegou fogo - Reprodução
Vídeo da campanha de Celso Russomanno faz associação falsa de Guilherme Boulos com ocupação que pegou fogo Imagem: Reprodução
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

30/10/2020 21h41

Guilherme Boulos e a coligação "Pra Virar o Jogo" (PSOL, PCB e UP) estão movendo duas ações, uma eleitoral e outra criminal, contra Celso Russomanno. Os advogados de Boulos querem que o candidato do Republicanos seja investigado e processado por divulgação de notícias falsas no contexto eleitoral e por crimes contra a honra, além de ser obrigado a retirar o conteúdo do ar.

No vídeo "Receita de um Boulos de Problemas", que está circulando pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, Russomanno mostra imagens do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, centro da capital paulista, que foi palco de um incêndio que terminou com sete mortos e dois desaparecidos em maio de 2018. E infere que Boulos cobrava aluguel das pessoas que ocupavam o imóvel.

Agências de checagem de informações e matérias jornalísticas mostraram, na época do incêndio, que não havia vínculo entre o prédio e o MTST e que essa ligação estava sendo propagada por notícias falsas. A ação reafirma que o MTST e seu coordenador não tinham relação com a ocupação, nem cobra aluguéis. O UOL Confere também apontou isso hoje.

A ação na Justiça Eleitoral pede que além de Russomanno, Facebook e WhatsApp também retirem o conteúdo.

A decisão ocorre logo após o candidato do Republicanos ter aumentado o tom de sua campanha contra o coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), que vem se aproximando dele em intenção de voto.

De acordo com pesquisa Ibope, divulgada nesta sexta (20), Bruno Covas (PSDB) tem 26%, Russomanno, 20%, Boulos, 13%, e Márcio França, 11%. A margem de erro é de três pontos.

A ação criminal, segundo os advogados de Boulos, diz que Russomanno declarou, a um canal do YouTube, que ele invade casas para, depois, cobrar aluguel de pessoas simples.

E que teria usado dinheiro de campanha eleitoral para que uma operadora de caixa de supermercado falasse mal do candidato do Republicanos.

O psolista havia acusado Russomanno, no debate na TV Bandeirantes, de humilhar essa trabalhadora em busca de audiência em seu programa de TV que trata da defesa do consumidor.

Na ocasião, Boulos disse que ele falava "fino com os poderosos e grosso com o povo". Depois disso, o coordenador do MTST visitou-a, no último dia 24, quando postou uma foto com ela nas redes sociais.

Nesta sexta, Russomanno exibiu uma propaganda no horário eleitoral em que aparece conversando em tom ameno com a funcionária do supermercado. Diz, com base nisso, que Boulos mentiu para ataca-lo. "Enganar para ganhar votos é tão grave quanto invadir residências", afirmou o candidato.

A coluna tentou contato com a assessoria do candidato do Republicanos e publicará um posicionamento assim que possível.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL