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Leonardo Sakamoto

Candidatos de SP e Recife priorizam combate à escravidão; no Rio, só o Paes

Em São Paulo, o setor de vestuário é um dos campeões em trabalho escravo contemporâneo - Al Jazeera e Repórter Brasil
Em São Paulo, o setor de vestuário é um dos campeões em trabalho escravo contemporâneo Imagem: Al Jazeera e Repórter Brasil
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

17/11/2020 18h44

Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), em São Paulo, João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), em Recife, Eduardo Paes (DEM), no Rio, e Edmílson Rodrigues (PSOL), em Belém, comprometeram-se a priorizar o combate ao trabalho escravo caso sejam escolhidos no segundo turno das eleições no próximo dia 29 de novembro.

Até agora, Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio, Delegado Eguchi (Patriota), em Belém, ainda não se manifestaram sobre a carta-compromisso contra a escravidão proposta a eles, nesta eleição, pelo Ministério Publico do Trabalho, pela Organização Internacional do Trabalho, por associações nacionais de juízes do trabalho, auditores e procuradores, entre outras organizações. Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos), em São Luís, também não responderam ao convite, até esta terça (17), segundo a página da carta-compromisso.

Desde 1995, quando o Brasil criou seu sistema de combate à escravidão contemporânea, mais de 55 mil pessoas foram resgatadas em regiões rurais e urbanas de todo o país.

Entre os compromissos, está o de não promover empresas que tenham utilizado mão de obra escrava ou infantil. Também está o de implantar atendimento jurídico e social aos trabalhadores migrantes.

Os candidatos prometem exonerar qualquer pessoa que ocupe cargo público de confiança sob responsabilidade dos eleitos que vier a se beneficiar desse tipo de mão de obra. E a renunciar ao mandato caso fique comprovado que foram responsabilizados por esse tipo de exploração em seus negócios pessoais.

Desde 2006, a iniciativa da Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo recolhe assinaturas de candidatas e candidatos a cargos no Poder Executivo que se comprometem a colocar o combate à escravidão contemporânea como prioridade em suas gestões. Como resultado, políticas públicas adotadas tiveram origem no documento, como a criação de planos municipais e estaduais para a erradicação dessa forma de exploração, além da aprovação de leis para o atendimento de vítimas.

Na edição de 2020, as 12 entidades que atuam no combate à escravidão e organizam a iniciativa convidaram todos os que disputam as prefeituras de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, São Luís e Belém para endossarem o documento no primeiro turno e vão convidar outros candidatos neste segundo turno.

As cartas com as assinaturas dos candidatos podem ser encontradas nas páginas criadas para a Carta-Compromisso de 2020 on Facebook e no Instagram

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL