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Maria Carolina Trevisan

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Efeito Bolsonaro: pela 1ª vez, economia está no pico dos problemas do país

Fracasso na economia consolida incompetência do governo Bolsonaro - MAURO PIMENTEL / AFP
Fracasso na economia consolida incompetência do governo Bolsonaro Imagem: MAURO PIMENTEL / AFP
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Maria Carolina Trevisan

Maria Carolina Trevisan é jornalista especializada na cobertura de direitos humanos, políticas públicas sociais e democracia. Foi repórter especial da Revista Brasileiros, colaborou para IstoÉ, Época, Folha de S. Paulo, Estadão, Trip e Marie Claire. Trabalhou em regiões de extrema pobreza por quase 10 anos e estuda desigualdades raciais há oito anos. Coordena a área de comunicação do projeto Memória Massacre Carandiru e é pesquisadora da Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós Graduação. É coordenadora de projetos da Andi - Comunicação e Direitos. Em 2015, recebeu o diploma de Jornalista Amiga da Criança por sua trajetória com os direitos da infância.

Colunista do UOL

01/09/2021 11h45

O governo Bolsonaro acumula percepções de incompetência: consolidou o fracasso na gestão da pandemia de covid-19 e agora soma também o fracasso na economia. É o que mostra a pesquisa Genial, divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto Quaest Pesquisa e Consultoria: 21% dos brasileiros consideram a economia como o segundo principal problema do país, atrás da saúde/pandemia (28%), 11 pontos percentuais a mais que em julho. Se somarmos à preocupação com a economia, o desemprego e a inflação, esse índice chega a 37% e coloca a questão econômica no topo do que mais aflige os brasileiros.

É a primeira vez que a economia aparece no pico dos principais problemas do país. A experiência com a negligência no combate à pandemia, a omissão e as evidências de corrupção na aquisição de vacinas, cristalizaram no eleitorado a descrença na capacidade do governo Bolsonaro em gerenciar crises.

A população sente no bolso essa incompetência com a alta dos alimentos, da conta de luz e do gás. A sensação atinge também o apoio dos evangélicos, que até hoje se mostraram resilientes e fieis ao presidente. Agora, 35% dos evangélicos avaliam o governo negativamente contra 32% que o consideram positivo, uma inversão em relação a agosto. Nem a fé tem sido suficiente para apoiar Bolsonaro.

O desgaste foi sentido também pela população com renda mais alta: 49% dos que ganham mais de cinco salários mínimos declararam que o desempenho do governo neste mês foi negativo, um aumento de 13 pontos percentuais em um mês.

Vitória do "fique em casa"

A aposta de que resguardar a população da covid-19 seria a maneira mais eficaz de retomar o crescimento da economia impactou na avaliação positiva de governadores e prefeitos. Na pesquisa XP/Ipesp divulgada nesta terça (31), 33% avaliaram o desempenho de governadores como "ótimo/bom". Os chefes dos estados foram os que mais incentivaram protocolos de proteção contra a pandemia.

No caso dos prefeitos, mais próximos à população no processo de vacinação em massa, a avaliação "ótimo/bom" chega a 49%. O brasileiro quer se vacinar (96% disseram estar vacinados ou que vão se vacinar com certeza).

A aposta de Bolsonaro na imunidade de rebanho, na gripezinha, na cloroquina, no spray nasal, na aglomeração, custou ao país milhares de mortes evitáveis e derrubou a popularidade de seu governo: 54% avaliam o governo Bolsonaro como "ruim/péssimo", com tendência de alta.

As duas pesquisas indicam que a melhora no futuro está descolada da imagem do presidente Jair Bolsonaro. Apesar da preocupação com a economia e com a saúde, o brasileiro está otimista que conseguirá manter o emprego (57%, na pesquisa Genial/Quaest). Ou seja, o futuro parece melhor, a pandemia deve arrefecer, isso vai melhorar a economia, mas nada disso depende de Bolsonaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL