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Maria Carolina Trevisan

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Carta aos meus leitores

Pomba pousa sobre faixa durante ato em favor da anistia a exilados e presos políticos, na praça da Sé, em São Paulo, em 21 de agosto de 1979 - Jorge Araújo/Folhapress
Pomba pousa sobre faixa durante ato em favor da anistia a exilados e presos políticos, na praça da Sé, em São Paulo, em 21 de agosto de 1979 Imagem: Jorge Araújo/Folhapress
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Maria Carolina Trevisan

Maria Carolina Trevisan é jornalista especializada na cobertura de direitos humanos, políticas públicas sociais e democracia. Foi repórter especial da Revista Brasileiros, colaborou para IstoÉ, Época, Folha de S. Paulo, Estadão, Trip e Marie Claire. Trabalhou em regiões de extrema pobreza por quase 10 anos e estuda desigualdades raciais há oito anos. Coordena a área de comunicação do projeto Memória Massacre Carandiru e é pesquisadora da Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós Graduação. É coordenadora de projetos da Andi - Comunicação e Direitos. Em 2015, recebeu o diploma de Jornalista Amiga da Criança por sua trajetória com os direitos da infância.

Colunista do UOL

04/05/2022 13h41

Caros leitores,

Esta coluna foi minha casa durante quase cinco anos. Nesse período, tratei de política com a lupa dos direitos humanos, o foco principal do meu caminho profissional e acadêmico. Escrevi sobre violência policial, violência contra a mulher, sequelas da ditadura, ameaças à democracia, fome, desigualdade social, pandemia de covid-19, racismo e política.

Aqui, fiz também análises do cenário político, sempre com base nas pesquisas de opinião, em entrevistas com boas fontes, na escuta de pessoas comuns, na observação atenta, em estudos que aprofundassem os temas abordados. Procurei que todas as denúncias de violações de direitos humanos publicadas aqui tivessem um olhar delicado, com respeito, escrita firme e precisa.

Nesse tempo, fui acompanhada por vocês, meus leitores. Alguns foram críticos, outros discutiram as pautas comigo. Nunca me senti sozinha nessa estrada. Por isso, agradeço a atenção e a leitura.

Sou muito grata aos meus leitores, aos meus colegas, às minhas fontes e às pessoas com quem conversei para conseguir escrever as colunas. O jornalismo bem feito é um dos pilares que sustenta a democracia. Nosso papel, como repórteres e também como colunistas, é endereçar temas que a sociedade precisa tratar, cobrar os que estão no poder, fiscalizar políticas públicas, denunciar violações e apontar saídas.

Fiz esse trabalho com dedicação. Por isso, guardo essa trajetória em um lugar especial das veredas da vida.

O país vive hoje um momento delicado. Seguirei contribuindo por um país mais justo para todos, menos desigual, menos racista.

Escolhi o dia 2 de outubro de 2017 como a data de nascimento da minha coluna. Foi também nesse dia que ocorreu a mais grave violação de direitos humanos contra pessoas sob custódia do Estado no Brasil, o Massacre do Carandiru. Quase 30 anos depois, não houve responsabilização e há pouca reparação às famílias.

É por respeito a vocês, leitores, que escrevo esta última coluna. E me despeço deste espaço.

Muito obrigada por me acompanharem. Continuaremos juntos.

Um grande abraço.

Maria Carolina Trevisan