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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Desmentido da CNN a Alexandre Garcia era ineficaz e não evitava fake news

Alexandre Garcia na CNN Brasil - Reprodução/Instagram
Alexandre Garcia na CNN Brasil Imagem: Reprodução/Instagram
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

24/09/2021 19h46Atualizada em 25/09/2021 10h40

O sonho da CEO da CNN Brasil, Renata Afonso, é "mostrar pluralidade de ideias com civilidade, mostrar que as diferenças de opinião podem conviver e gerar um debate produtivo". Mas não é este o resultado que o canal de notícias vinha alcançado com a atuação do jornalista Alexandre Garcia no quadro "Liberdade de Opinião".

Nesta sexta-feira (24), mais uma vez, um âncora do canal se viu na obrigação de esclarecer que um comentário de Garcia promoveu desinformação. "A CNN ressalta que não existe um tratamento precoce comprovado cientificamente para prevenir a covid-19. O que a ciência mostra é que a prevenção, com o uso de máscaras e a vacinação, são as únicas maneiras de combater a pandemia", disse a apresentadora Elisa Veeck após a fala Garcia na TV.

Horas depois do desmentido na TV, o canal anunciou a rescisão do contrato com o jornalista.

Este tipo de desmentido da CNN tem um problema, porém. É ineficaz. Enquanto Elisa falava, o comentário de Garcia já estava circulando livremente nas redes sociais e em grupos no WhatsApp e no Telegram. Possivelmente, alcançou público maior nestes canais do que na própria CNN.

A viralização de trechos ultrajantes é uma tática de comunicação usada com muita eficiência em círculos de apoiadores do presidente Bolsonaro. A defesa do chamado "tratamento preventivo" da covid 19, como fez Garcia, é um dos temas que insufla estes grupos em canais alternativos de comunicação.

O comentarista da CNN não é o único que tem audiência enorme nos ambientes virtuais. Um outro exemplo, entre muitos, é Luís Ernesto Lacombe. Apesar da audiência muito baixa de seus programas na RedeTV! (às vezes beira o traço, perto de zero), trechos de suas falas, ou de seus convidados, afinados com o governo, e eventualmente sem respaldo na realidade, costumam ser muito populares nestes canais na internet.

Abaixo, a nota da CNN sobre a saída de Alexandre Garcia:

"A CNN Brasil comunica que rescindiu o contrato com o jornalista Alexandre Garcia nesta sexta-feira (24).

A decisão foi tomada após o comentarista reiterar a defesa do tratamento precoce contra a Covid-19 com o uso de medicamentos sem eficácia comprovada.

O quadro "Liberdade de Opinião" continuará na programação da emissora, dentro do jornal "Novo Dia".

A CNN Brasil reforça seu compromisso com os fatos e a pluralidade de opiniões, pilares da democracia e do bom jornalismo."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL