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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Neutra", CNN evita qualificar conteúdo antidemocrático de ato em São Paulo

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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

07/09/2021 16h06

Ao longo da tarde desta terça-feira (07), a CNN Brasil manteve uma câmera aberta na Avenida Paulista, enquanto âncoras e repórteres traziam informações sobre os atos promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro em dezenas de cidades.

A maior preocupação da cobertura foi sobre a ocorrência de incidentes. A todo momento, o canal informava que as manifestações seguiam "pacíficas", sem nenhuma "intercorrência".

Outra preocupação, que tomou boa parte do tempo dos âncoras, foi sobre a chegada do presidente à Paulista. O canal repetiu dezenas de vezes as mesmas informações sobre a comitiva de Bolsonaro, o horário que chegou, para onde foi, e também sobre o helicóptero que sobrevoou a avenida onde ocorria a manifestação em São Paulo e a previsão de chegada ao palanque.

Durante cerca de duas horas, entre 13h30 e 15h30, em nenhum momento a CNN Brasil informou o motivo da manifestação ou o teor do discurso ameaçador que Bolsonaro fez pela manhã, em Brasília. Às 15h36, pela primeira vez, um repórter avisou que a passeata era a "favor do governo federal". E às 15h39, depois de mais de duas horas sem qualquer comentário, foi lembrado que Bolsonaro "enquadrou" o presidente do STF, Luiz Fux.

Diferentemente dos canais Globo, que frisaram em inúmeras oportunidades que as manifestações reproduziam mensagens inconstitucionais e antidemocráticas, a CNN evitou qualificar o conteúdo das palavras de ordem levadas à Paulista. Nesta situação, a "neutralidade" indica omissão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL