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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Superinteressante exclui do acervo capa que questionava eficácia de vacinas

Revista Superinteressante  - Reprodução
Revista Superinteressante Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

02/11/2021 05h01

Quem consulta o acervo da revista Superinteressante percebe um salto entre os meses de janeiro e março de 2001. A edição de fevereiro daquele ano não está mais acessível para consultas. A publicação da editora Abril trazia como assunto principal naquele mês questionamentos sobre a eficácia das vacinas.

A capa exibia um bebê com uma venda nos olhos recebendo uma vacina em gotas na boca. Abaixo, o título: "Vacinas: a cura ou a doença?". E o subtítulo sensacionalista: "A vacinação, ferramenta básica de saúde pública, enfrenta no mundo inteiro uma onda crescente de críticas e desconfianças. A questão: será que as vacinas fazem mais mal do que bem?"

Capa da Superinteressante - Reprodução  - Reprodução
Capa da revista Superinteressante de fevereiro de 2001, suspensa do acervo
Imagem: Reprodução

O atual diretor de redação da revista, Alexandre Versignassi, responde sobre os questionamentos a vacinas levantados na matéria de 2001: "Nada se provou". Ou seja, as dúvidas levantadas naquela época não se comprovaram. Por este motivo, numa conversa com a administração da Abril, o jornalista achou prudente excluir provisoriamente a edição do acervo. "Num período de pandemia e de vacinação, poderia ser um desserviço", diz.

Versignassi ressalta uma questão importante: "Não é apagar a história. É uma questão de saúde pública". E acrescenta: "A gente tirou e num segundo momento vamos colocar de volta".

Adriano Silva, que dirigiu a Superinteressante no começo dos anos 2000, diz que a capa sobre vacinas, publicada em fevereiro de 2001, deve ser entendida no contexto da reforma editorial que ele promoveu na publicação. "A revista era muito reverente ao cânone oficial da ciência. Resolvemos ampliar", diz.

É desta fase uma outra capa suspensa do acervo. Publicada em dezembro de 2000, perguntava: "Aids: o HIV é inocente?". E trazia uma entrevista com o biólogo e químico Peter Duesberg, que defendia a tese de que a Aids não era causada pelo vírus HIV.

Em dezembro de 2013, a revista publicou na versão online um "esclarecimento", antes do início da entrevista, alertando o leitor que "as teses de Duesberg caíram em descrédito e hoje temos muita clareza de que não deveríamos ter dado espaço a elas".