PUBLICIDADE
Topo

Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Apresentadores da Fox News podem ser contra vacina, mas os acionistas não

Fox News via Fox  - Daniel Constante
Fox News via Fox Imagem: Daniel Constante
Conteúdo exclusivo para assinantes
Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

03/11/2021 10h37

O canal Fox News é uma das principais vozes do pensamento conservador nos Estados Unidos. Defensor quase incondicional do governo de Donald Trump, agora se posiciona de forma crítica em relação a Joe Biden. Em matéria de combate à pandemia, os seus principais colunistas são contra a obrigatoriedade de vacina - alguns até dão trela a teorias conspiratórias a respeito.

Por isso, chamou a atenção nos Estados Unidos uma notícia sobre a próxima reunião anual de acionistas do grupo Fox em Los Angeles, no dia 10 de novembro. Todos os participantes serão obrigados a apresentar passaporte de vacinação contra covid, usar máscaras e manter distanciamento social.

Não é a primeira vez que determinações da Fox em relação à covid se chocam com as falas públicas de seus comentaristas de direita. Em setembro, o canal informou que 90% dos funcionários já estavam vacinados. E avisou que aqueles ainda não estivessem seriam testados "diariamente" antes de entrar na emissora.

Enquanto isso, no ar, apresentadores continuavam a questionar a obrigatoriedade de vacinação e, até mesmo, a eficácia do imunizante. Uma das maiores estrelas da Fox, o apresentador Tucker Carlson, chegou a defender em setembro uso de "cartões de vacina falsificados" que "podem permitir que as pessoas contornem as prescrições de vacinas insanas, que são imorais e inconstitucionais".

O memorando para os acionistas que participarão da reunião avisa: "Os protocolos promovem nossos objetivos de prevenir exposições a covid-19 em nossos locais de trabalho e áreas de produção, reduzindo a propagação da doença e gerenciando casos que possamos encontrar".

Na semana passada, a Fox News deu cobertura favorável a uma turma de manifestantes anti-vacina que tentou invadir a quadra de basquete do Brooklyn Nets em apoio ao jogador Kyrie Irving, que se recusa a tomar a vacina. Ele foi afastado da equipe.