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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Conversa com Bial: Globo insiste em entrevista motivada por ação comercial

Pedro Bial apresenta o "Conversa com Bial"  - Reprodução / Internet
Pedro Bial apresenta o "Conversa com Bial" Imagem: Reprodução / Internet
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

30/11/2021 14h11

Após 25 minutos de entrevista com o diretor de teatro José Celso Martinez, na madrugada desta terça-feira (30), Pedro Bial anunciou que precisava encerrar a conversa. "Acabou? Que pena!", lamentou Zé Celso.

Na verdade, não acabou. Após um intervalo comercial, o apresentador do "Conversa com Bial" trouxe uma entrevista com a psicanalista e doutora em psicologia econômica Vera Rita de Mello Ferreira "para falar de saúde emocional."

Explicou Bial: "Com tudo que a gente vem enfrentando, não há saúde emocional que resista. E se ela não vai bem, as saúdes física e financeira também são afetadas. A Sul América defende a importância da saúde integral: corpo, mente e finanças andando de mãos dadas." Complementando a transparência, o programa exibiu a marca do patrocinador na tela.

Nos quatro minutos seguintes, a psicanalista respondeu a perguntas sobre o tema. Na sequência, Bial convidou o espectador a fazer um teste "para saber como está a sua saúde integral" no site do patrocinador. Avisou que a ação se estende a outros programas da emissora, como o "Bem Estar" e o "Encontro com Fátima Bernardes", e prometeu nova entrevista sobre o assunto na semana que vem.

Já tratei algumas vezes na coluna do incômodo que me causa assistir entrevistas do "Conversa com Bial" motivadas por interesse comercial. Como a Globo insiste em fazer experiências neste gênero de "publieditorial", sugerindo que não vê problema algum na prática, vou insistir na minha crítica.

Até seria compreensível um "testemunhal" do apresentador falando das qualidades de um produto no meio do programa. Afinal, o "Conversa com Bial" está na área do entretenimento.

Mas considero um desrespeito exibir uma entrevista que não seria exibida normalmente sem o impulso dado pelo patrocinador. Mesmo sendo uma ação transparente, não deixa de ser uma forma de iludir o público que sintonizou no programa para assistir entrevistas pautadas por interesse jornalístico ou de entretenimento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL