PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Plínio Fraga


MPF apura pagamentos de pelo menos R$ 2,3 milhões a José Dirceu

O ex-ministro José Dirceu chega à sede da Polícia Federal em Curitiba - EDUARDO MATYSIAK/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O ex-ministro José Dirceu chega à sede da Polícia Federal em Curitiba Imagem: EDUARDO MATYSIAK/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Plínio Fraga

Plínio Fraga é jornalista desde 1989. Foi editor-chefe da revista Época, editor de política da Folha e do Jornal do Brasil e repórter da revista Piauí e de O Globo. Lançou em 2017 a biografia "Tancredo Neves, o príncipe civil" (editora Objetiva). É doutorando Mídia e Mediações Socioculturais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A coluna se propõe a olhar com lupa o ir-e-vir e os desvãos da política. Análises, perfis e reportagens sobre eleições, governos, congresso, assembleias, marketing político, pesquisas eleitorais, as redes sociais como nova praça pública, debates de ideias e políticas públicas, como segurança, redução da desigualdade e crescimento econômico

Colunista do UOL

11/12/2019 00h01

A nova fase da operação Lava Jato levanta uma série de acusações contra o ex-ministro José Dirceu, suspeito de ter recebido ilicitamente mais de R$ 2,3 milhões.

O Ministério Público diz em sua denúncia que foram obtidos indícios de pagamentos ilícitos a Dirceu provenientes de dois escritórios de advocacia e de uma prestadora de serviços contratada pelo Grupo Oi/Telemar.

Os escritórios envolvidos são o Lima, Serra, Fernandes & Associados, sediado em Portugal, e o Serra, Fernandes e Volk, com sede no Brasil.
A figura chave seria o advogado João Abrantes Serra, sócio de ambos os escritórios.

De acordo com os procuradores, parte dos pagamentos do escritório a Dirceu ingressava antes em contas bancárias no Brasil em nome da empresa JD Assessoria e Consultoria e do escritório Oliveira e Silva & Ribeiro Advogados.

O Ministério Público Federal (MPF) acredita que ao menos parte dos pagamentos provenientes de Lima, Serra, Fernandes & Associados tendo como beneficiário final Dirceu esteja relacionado a negócios envolvendo a Zagope Construções e Engenharia, que atua na Europa.

A empresa faz parte do Grupo Andrade Gutierrez. O escritório português transferiu para Dirceu R$ 662 mil, entre 2008 e 2012.

Levantamento dos procuradores apontou que a empresa R.T Serviços Especializados, pertencente a Julio Cesar Oliveira Silva, foi responsável pelo pagamento de despesas em favor do grupo de Dirceu que atingiram quase R$ 1,59 milhão.

Essa empresa, que chegou a ter no máximo dois funcionários, recebeu, entre 2009 e 2015, R$ 10,8 milhões do grupo Oi/Telemar.

De acordo com o MPF, a Receita Federal apurou que Dirceu, por meio de sua empresa de consultoria, simulou diversos contratos de prestação de serviços com construtoras e empreiteiras. A Receita informou ter identificado indícios de tráfico de influência para favorecer empresas de setores como bebida e medicamentos.

Lava Jato mira empresas de Fábio Luis, filho do ex-presidente Lula

Band Notí­cias

O ex-ministro petista já havia sido condenado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro _ a Engevix Engenharia pagou propina a Dirceu e grupo político a ele associado para obter contratos da Petrobras, de acordo com a Lava Jato.

Roberto Podval, advogado do ex-ministro José Dirceu, disse que não teve acesso à íntegra das acusações, mas contestou as ilações dos procuradores. Disse que "todos os recebíveis do ex-ministro já foram objeto de investigações". "É mais do mesmo", criticou.

Em nota, a Oi/Telemar afirmou que atua de forma transparente e tem prestado todas as informações e esclarecimentos que vêm sendo solicitados, "assegurando total e plena colaboração com as autoridades competentes". O Grupo Andrade Gutierrez informou que segue colaborando com as investigações.

Os demais acusados ainda não haviam sido localizados até a publicação deste texto.

Plínio Fraga