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Plínio Fraga


Petistas paulistanos rejeitam volta de Marta

A ex- prefeita de São Paulo Marta Suplicy - Lucas Lima/UOL
A ex- prefeita de São Paulo Marta Suplicy Imagem: Lucas Lima/UOL
Plínio Fraga

Plínio Fraga é jornalista desde 1989. Foi editor-chefe da revista Época, editor de política da Folha e do Jornal do Brasil e repórter da revista Piauí e de O Globo. Lançou em 2017 a biografia "Tancredo Neves, o príncipe civil" (editora Objetiva). É doutorando Mídia e Mediações Socioculturais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A coluna se propõe a olhar com lupa o ir-e-vir e os desvãos da política. Análises, perfis e reportagens sobre eleições, governos, congresso, assembleias, marketing político, pesquisas eleitorais, as redes sociais como nova praça pública, debates de ideias e políticas públicas, como segurança, redução da desigualdade e crescimento econômico

Colunista do UOL

07/01/2020 11h28

A crise, por enquanto, ainda é silenciosa. Como resultado de consultas informais em reuniões presenciais, conversas de grupos em redes sociais e sondagens diretas a grupos da base da militância, lideranças do PT paulistano concluíram que parte significativa rejeita a volta de Marta Suplicy ao partido e, consequentemente, não quer vê-la como candidata a prefeita de São Paulo neste ano.

Entre essas lideranças petistas, há quem tenha a convicção de que a volta de Marta é rejeitada pela maioria do partido. Os mais radicais enxergam a ameaça da maior crise interna do diretório paulistano na véspera dos 39 anos do PT, a serem completados em fevereiro.

O tamanho da crise é do tamanho do maior patrocinador da volta de Marta ao PT: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez referências públicas elogiosas à ex-prefeita de SP e deixou aberta a possibilidade de que seja a candidata do PT em São Paulo em 2020.

Muitas das lideranças da base paulistana petista ressaltam que é difícil ir contra o que chamam de "sensibildade política" de Lula. No caso, lembram que o "faro" de Lula para o gosto do eleitor já mostrou resultado em ocasiões surpreendentes, em especial quando da primeira escolha de Dilma Rousseff como candidata a presidente em 2010. À época, ela era um nome técnico, sem projeção entre os eleitores.

Dilma está no centro da rejeição do PT paulistano a Marta. A ex-presidente nunca teve fãs ardorosos em São Paulo, tendo buscado seus assessores mais leais entre militantes do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais.

A defesa que Marta fez do impeachment de Dilma é considerada erro imperdoável por grande parte dos militantes. Num dos grupos de discussão por rede social, a mensagem mais compartilhada mostrava a cena de filiação de Marta ao PMDB, ao lado do então presidente Michel Temer e do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Sob a foto, uma única frase: Como explicar isso ao eleitor?

Em 2014, Marta tentou liderar um movimento no PT para que Dilma abrisse mão da recandidatura presidencial em favor de Lula. Com a vitória apertada da petista, as duas nunca mais conversaram nem se perdoaram. Marta se filiou ao PMDB, apoiou o impeachment, fracassou nas urnas e anunciou que não mais disputaria cargos eleitorais.

Para os mais próximos a Lula, a indicação de Marta Suplicy faz sentido político. Tem um legado administrativo forte em São Paulo, com bandeiras como a introdução do bilhete único e as dezenas de CEUs _ principal obra educacional petista em SP _ ainda hoje em funcionamento. Como candidata do PT, Marta poderia partir de uma base de 20% entre os eleitores e tornar-se viável ampliando outros partidos a seu projeto.

O problema dos anti-Marta no PT paulistano é a falta de alternativa. Fernando Haddad já rejeitou publicamente que será o candidato a prefeito em 2020. Um grupo próximo a ele tentou fazer de Ana Estela Haddad a candidata, mas também não obteve apoio interno forte. Outros nomes em discussão estão no pelotão mais retardatário da sucessão paulistana.

O poder de convencimento de Lula é o grande trunfo de Marta. Resta saber se o ex-presidente, envolto em condenações criminais que lhe podem levar de volta à prisão neste ano, está disposto a criar uma crise interna no diretório que deu origem ao partido que lidera.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Plínio Fraga