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Rogério Gentile

TJ bloqueia R$ 143,5 mi da mulher e das filhas de Marcelo Odebrecht

20.abr.2017 -- Família Odebrecht (da esquerda para a direita): Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo, Norberto, fundador, e Emilio - Acervo Odebrecht
20.abr.2017 -- Família Odebrecht (da esquerda para a direita): Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo, Norberto, fundador, e Emilio Imagem: Acervo Odebrecht
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

05/11/2020 11h01

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu bloquear R$ 143,5 milhões das contas de Isabela Odebrecht, mulher do empresário Marcelo Odebrecht, e das três filhas do casal.

A decisão foi tomada a pedido do grupo Odebrecht, que tenta reaver valores pagos a Marcelo, ex-presidente e neto do fundador da empresa, como indenização por sua colaboração com as investigações da Operação Lava Jato.

A empreiteira alega que o pagamento foi feito pela antiga diretoria mediante ameaças de que o empresário incriminaria executivos da companhia. Marcelo, que trava uma guerra familiar com o pai, Emílio Odebrecht, nega a acusação.

O novo bloqueio foi determinado pelo TJ depois que a empreiteira recorreu da decisão de primeira instância que liberou os bens. A Odebrecht reafirmou que o acordo ocorreu mediante "achaque".

Marcelo ainda pode tentar anular a decisão.

Sua assessoria afirmou à coluna que ele não faria comentários sobre o bloqueio, pois o processo corre sob segredo de Justiça.

Em petição apresentada ao Judiciário, Isabela Odebrecht e as filhas do casal afirmam que o Grupo Odebrecht age com "má-fé" e tenta "manipular a Justiça" omitindo e apresentando informações de modo parcial.

Contas do empresário tinham R$ 600

O desembargador Grava Brazil, relator do processo no TJ, afirma serem verossímeis as alegações de que o acordo de indenização foi ilegal e de que ocorreu mediante chantagem.

A validade do acordo será decidida numa câmara de arbitragem, método pelo qual as partes envolvidas em um conflito definem que uma pessoa ou entidade privada irá solucionar a controvérsia.

O TJ, no entanto, decidiu bloquear os valores por considerar que há risco de os recursos serem "dissipados", o que acarretaria "na perda da utilidade prática da arbitragem". Além de Grava Brazil, participaram da decisão os desembargadores Sérgio Shimura e Ricardo Negrão.

O relator cita no acórdão que foram encontrados apenas R$ 600 nas contas pessoais de Marcelo. O fato de os recursos estarem depositados em nome da mulher e das filhas, afirmou, indicaria uma intenção do empresário de blindar seu patrimônio.

Batalha é mais um capítulo de uma guerra judicial familiar

Em março, as contas de Marcelo e dos familiares já haviam sido bloqueadas por decisão do juiz Eduardo Pellegrinelli, da 2ª Vara Empresarial de São Paulo.

Posteriormente, com base em novos documentos, o mesmo juiz revogou a decisão. "A prova que existe hoje nos autos evidencia que os fatos ocorreram de forma diversa da que foi apresentada pela Odebrecht", afirmou o juiz ao liberar os bens.

De acordo com o magistrado de primeira instância, documentos omitidos pela empreiteira indicam que os executivos da Odebrecht subscreveram o acordo de indenização e que esse acordo "representou a vontade da companhia", diferentemente do alegado.

O acordo de indenização foi "consciente e voluntário", afirmou o juiz, ressaltando que foi ratificado cerca de um ano e meio depois pelo conselho de administração da empresa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.