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Rogério Gentile

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Bolsonarista é condenado pela quarta vez por dossiê contra antifascistas

O deputado estadual Douglas Garcia - Zanone Fraissat
O deputado estadual Douglas Garcia Imagem: Zanone Fraissat
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

23/02/2021 10h07

A Justiça de São Paulo condenou pela quarta vez o deputado estadual Douglas Garcia (PTB-SP) em razão do dossiê que expôs dados pessoais e fotografias de cerca de 1.000 pessoas que se declaram antifascistas.

Garcia, que é um dos principais aliados da família Bolsonaro em São Paulo, terá de pagar R$ 10 mil de indenização a A.N.V. No total, as condenações já somam R$ 70 mil, mas, como são de primeira instância, ainda são passíveis de recurso.

No processo, A.N.V. afirma que vive amedrontado, uma vez que os dados divulgados permitem a sua localização e que "o deputado incitou a perseguição e o ódio" contra as pessoas listadas no dossiê, chamadas pelo parlamentar de "terroristas".

Na relação, há dois jornalistas, seis radialistas e pelo menos 70 professores. Como "provas" de ligação com o terrorismo, o dossiê cita uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em 2018, livros e camisetas com a suástica nazista marcadas com um x vermelho demonstrando rejeição.

Garcia nega ter elaborado e distribuído o dossiê, embora tenha escrito, em suas redes sociais, que recebeu "pelo menos 1.000 perfis com dados e fotos dos criminosos (antifas)". Ele disse que, como deputado estadual, tem direito a imunidade parlamentar e que apenas entregou a lista às autoridades.

Na sentença, o juiz Christopher Alexander Roisin afirma que ficou caracterizado o abuso por parte de deputado e cita o senador republicano Joseph McCarthy, que liderou nos anos 50 uma cruzada nos Estados Unidos contra a suposta infiltração de agentes comunistas nos altos cargos da administração americana. Mesmo sem provas ou evidências, com métodos inquisitoriais, McCarthy acusava pessoas politicamente incômodas, desacreditando-as como inimigas da democracia.

No caso do dossiê bolsonarista, os alvos são as pessoas que se intitulam antifascistas, ou seja, contrárias ao fascismo, um sistema político totalitário, ultranacionalista, caracterizado pela concentração do poder nas mãos de um único líder, pelo uso da violência e pelo controle dos meios de comunicação de massa.

Benito Mussolini, da Itália, é o fascista mais conhecido. Na 2ª Guerra Mundial, Mussolini apoiou a Alemanha de Adolf Hitler.