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Rogério Gentile

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Reportagem

Record é condenada pela Justiça por exibir rapaz como se fosse estuprador

A Justiça de São Paulo condenou a Rede Record a pagar uma indenização de R$ 20 mil a um homem que foi vítima de uma reportagem errada no programa Cidade Alerta.

Em junho de 2022, a emissora exibiu a imagem do rapaz, que havia sido preso em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e o relacionou a um estupro.

A história, no entanto, não era verdadeira. O rapaz havia sido detido sob acusação de, sob efeito de bebida alcoólica, ofender um policial com palavrões.

No processo de indenização aberto contra a emissora, o rapaz afirmou que, por conta da reportagem, sua vida virou um inferno e passou a ser ameaçado por criminosos da região.

Ele contou à Justiça que, logo ao retornar para casa, assim que foi liberado pelos policiais, duas motos o aguardavam na frente de sua casa.

"Olha ele lá, vamos pegar o Jack [gíria usada originalmente em presídios para identificar um estuprador]", disse ter escutado. O rapaz declarou ter entrado em um ônibus para conseguir escapar.

De acordo com o relato, familiares do rapaz precisaram procurar chefes criminosos do seu bairro para mostrar o boletim de ocorrência com a informação correta, "pois já estava jurado de morte".

A Record se defendeu no processo argumentando que se tratava de uma transmissão ao vivo, pois recebera a informação de que a polícia havia saído em diligência na busca de um suspeito de estupro.

"A matéria se baseou nas informações prestadas pela polícia, possuindo interesse público, posto que constitui flagrante da prisão de um suspeito, sendo que a transmissão 'ao vivo' se prestou a informar os moradores do local sobre os fatos para que pudessem se proteger", afirmou a emissora à Justiça.

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A Record disse no processo que em momento algum divulgou o nome do suspeito, e que não ofendeu a honra rapaz. "A reportagem não contém qualquer abuso", disse.

Na sentença em que condenou a emissora, a juíza Melina de Medeiros Ros declarou que o vídeo anexado aos autos demostra claramente que a Record "vinculou, de forma equivocada, injusta e imprudente", a imagem do rapaz ao crime de estupro.

A juíza afirmou que a emissora não apresentou provas de que a informação errada fora prestada pela polícia. Disse que era obrigação da equipe de reportagem certificar-se do motivo da prisão do rapaz "antes de vincular a sua imagem a um crime que não praticou".

Além da indenização, a Record terá, conforme a decisão, que publicar uma retratação sobre o caso. A emissora ainda pode recorrer.

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