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Com votação remota, só o consensual anda no Congresso; inclusive reformas

O plenário das sessões do Congresso ende a ficar vazio durante as votações remotas - Pedro Ladeira/Folhapress
O plenário das sessões do Congresso ende a ficar vazio durante as votações remotas Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

18/03/2020 10h03

O deputado Arthur Lira (AL) é o líder do PP e um dos mais influentes parlamentares do chamado Centrão no Congresso.

Na avaliação dele, com a crise do novo coronavírus e o estabelecimento de votações remotas no Congresso, só será possível votar projetos com acordo envolvendo ampla maioria de parlamentares.

"As matérias mais críticas vão ficar para depois. Quanto ao consenso, em geral ele ocorre em torno de assuntos ou pouco importantes, ou muito importantes, como esse caso do coronavírus", disse o líder.

Em outras palavras. As reformas só andarão se o governo conseguir estabelecer um amplo acordo com o Congresso. Isso significa envolver até mesmo a oposição, o que esvaziaria o ajuste pretendido inicialmente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

O líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), concorda com Lira. "Realmente só devem progredir os projetos com amplo acordo no Parlamento", disse à coluna.

Mas o senador está otimista:

"A crise faz as pessoas pararem para pensar. Já estamos vendo os presidentes dos três Poderes marcando um encontro, que deve ocorrer hoje. Depois dessa conversa, acredito que acabarão os desentendimentos que vinham ocorrendo e tudo caminhará melhor. Vamos conseguir bons acordos daqui para a frente, pois é o que o país precisa."

Esse é o ponto: só andará o que tiver acordo. E, para haver entendimento, é preciso confiança entre interlocutores.

E o problema é que o presidente da República não tem inspirado confiança aos chefes dos demais poderes.

Uma hora Bolsonaro convoca para manifestações, depois diz que não convocou. Aí volta a convocar publicamente, para depois dizer que é melhor não, por causa do coronavírus. Mas insiste em que há exagero na pandemia e, então, ele próprio vai à manifestação cumprimentar a armar selfies com prováveis eleitores que pedem a volta do AI-5 e distribuem palavrões contra os mandatários do Legislativo e do judiciário.

Assim fica difícil, não é mesmo?