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Em tempos de rachadinha também aparecem rachas na oposição e na Lava Jato

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

25/06/2020 14h25

Nuvem de gafanhotos na América do Sul, nuvem de poeira do Saara cruzando o Oceano Atlântico, epidemia mundial de coronavírus... Tem gente já falando no fim do mundo. Não cheguemos a tanto. Mas que vivemos tempos estranhos, lá isso é verdade.

Nesta quinta-feira, o juiz Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro, determinou a prisão de um ex-deputado do MDB e um ex-ministro do governo Lula indicado pelo ex-presidente José Sarney. Bretas agiu no âmbito da Operação Lava Jato, originária de Curitiba sob o comando do então juiz Sergio Moro, mas que andava meio parada desde que este assumiu como ministro da Justiça.

Mas Moro deixou o governo brigado com o presidente Jair Bolsonaro, enquanto o juiz Marcelo Bretas continua amigo do mandatário do Planalto. Com isso, a Lava Jato rachou. De um lado, a República de Curitiba, ainda aliada a Sergio Moro, e, de outro, a ala do Rio de Janeiro, comandada por Bretas.

E eis que, em meio à tomada do noticiário pela prisão de Fabrício Queiroz e as denúncias de prática de rachadinha envolvendo o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, Marcelo Bretas destampa uma Operação da Lava Jato contra políticos da oposição.

Vale lembrar que, na terça-feira, a Folha de S.Paulo revelou que José Sarney, iria participar do evento de lançamento do movimento Direitos-Já, em defesa das instituições democráticas e contra as manifestações pelo fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso.

Bem, isso foi na terça, porque logo a seguir o movimento sofreu um racha. Conforme revelou Mônica Bérgamo, Sarney desistiu de participar. Devido ao caráter oposicionista do movimento também saíram o ex-presidente Michel Temer e o presidente do STF, Dias Toffoli, que já tinham confirmado participação. Racharam.

O próprio Moro acabou sendo motivo de outro racha no Direitos-Já, quando o ex-líder do Podemos na Câmara José Nelto propôs a participação do ex-juiz e ex-ministro no evento. Guilherme Boulos, do Psol, foi logo avisando: "se ele entrar por uma porta, eu saio pela outra".

É isso. Racha no Direitos Já, racha na Lava Jato e racha nas oposições em tempos de transbordamento do noticiário sobre a rachadinha no Rio de Janeiro. O que também provocou um novo racha nas hostes do presidente Jair Bolsonaro. Desta vez, envolvendo a destituição de Fredrico Wassef como advogado da família, desde que a polícia encontrou Fabrício Queiroz homiziado em sua casa.

Aliás, o bolsonarismo já havia rachado, primeiro pela briga de Bolsonaro e dos filhos com o partido pelo qual foram eleitos, o PSL. Depois pela saída de Sergio Moro.

Enfim, é racha para todo lado. Se juntar isso com pandemia, nuvem de gafanhotos e a super poeira do Saara a caminho da América, dá para entender porque tem gente aí acreditando no fim do mundo.