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Tales Faria

Ligado a militares e centrão, Rogério Marinho tem chance de derrotar Guedes

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

13/08/2020 15h29

Você deve ter visto. O ministro da Economia, Paulo Guedes, arrancou nesta quarta-feira, 12, do presidente Jair Bolsonaro uma manifestação pública de compromisso com a manutenção do teto constitucional no Orçamento da União. Foi uma vitória na guerra que abriu contra seu colega do Desenvolvimento Regional.

Guedes venceu essa batalha contra Rogério Marinho, mas não venceu a guerra.

O ministro Rogério Marinho - como se sabe - tem defendido formas de flexibilização do teto para aumentar liberações de verbas e obras públicas, visando ao enfrentamento da crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus.

Guedes chegou a dizer que ia bater de frente contra o que chamou de "ministros fura-teto". Na prática, novamente ameaçou pegar o boné e deixar o governo, o que seria uma baita crise.

Bolsonaro cedeu: armou a solenidade dessa quarta-feira em que disse estar comprometido com a manutenção do teto orçamentário. E abasteceu seu "Posto Ipiranga" de gasolina.

Mas também cobriu Rogério Marinho de salamaleques. Deixou claro a auxiliares que continua tendo como prioridade sua reeleição e, portanto, que vai precisar de verbas e obras públicas.

A agenda de inaugurações não pode parar. E caberá ao ministro da Economia arranjar dinheiro.
Ou seja, essa guerra entre o ministro que quer cortar e aquele que quer gastar ainda tem muitos lances emocionantes pela frente.

E Rogério Marinho não está fraco, não.

Ele veio do tucanato, do PSDB. Mas se aliou ao centrão durante a tramitação no Congresso da reforma da Previdência. Aliás, junto com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi um dos responsáveis pela aprovação do projeto.

Já tinha obtido grande simpatia do empresariado como autor da reforma trabalhista, aprovada no governo de Michel Temer. E, agora, conta com o forte apoio de bastidores dos ministros-militares do Planalto, que não querem a saída de Paulo Guedes, mas também não são favoráveis ao Estado mínimo.

Os militares estão mais para o desenvolvimentismo do que para o ultraliberalismo econômico.

Noves fora: Guedes tem apoio do mercado, mas Marinho não é mal visto pelos empresários. E, além disso, o ministro do Desenvolvimento Regional conta com simpatia dos generais e o livre trânsito no centrão.

Não é à toa que Paulo Guedes tem se aproximado de Rodrigo Maia. Quer trazer para si a outra banda dos partidos de centro do Congresso.

Mas isso é outra história. Ou outra das batalhas dessa guerra...