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Bolsonaro suspendeu a proposta de Guedes, mas ainda quer novo Bolsa Família

Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes - ADRIANO MACHADO
Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes Imagem: ADRIANO MACHADO
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

26/08/2020 17h06Atualizada em 26/08/2020 21h44

Ao suspender o anúncio do programa Renda Brasil, o presidente Jair Bolsonaro na verdade quis apenas dar uma bronca pública na equipe econômica, a quem responsabiliza pelo vazamento das propostas do Renda Brasil.

Bolsonaro aproveitou para também acenar ao eleitorado mais pobre, cujo apoio tem perseguido nas suas últimas viagens e inaugurações, especialmente pelo Norte e Nordeste.

Foi quando declarou que não pode tirar dinheiro dos pobres para dar aos paupérrimos.

Os auxiliares do presidente, no entanto, explicaram aos políticos aliados que ele não desistiu de um programa que torne permanente o auxílio emergencial.

Bolsonaro continua entusiasmado com o fato de a distribuição de R$ 600 reais nos últimos meses ter sustentado sua popularidade mesmo em meio à pandemia do coronavírus.

A ideia que ganhou força entre o articuladores políticos do governo é que a eternização de um auxílio maior que o Bolsa Família pode se usada como moeda de troca com os parlamentares para aprovar reformas e ajustes econômicos.

Caberia à equipe econômica mandar ao Congresso mesmo que fosse um esboço dessa proposta que seria negociada com deputados e senadores em termos semelhantes à aprovação da reforma da Previdência: o governo define quanto precisa para o programa e negocia com os políticos as fontes de renda e até sua abrangência.

Mas a proposta apresentada por Guedes a Bolsonaro não veio bem nessa direção, avaliam os articuladores do PLanalto.

Na visão da área política do governo, a equipe econômica fez apenas uma contabilidade de cortes de benefícios dos mais pobres para engordar o Renda Brasil. Não estabeleceu os termos de uma negociação envolvendo o enxugamento da máquina pública e uma reforma tributária em troca da ampliação de benefícios,

A crítica a Guedes continua sendo a de que ele adia a apresentação de um programa econômico redondo para tentar aprovar pequenas e grandes maldades a conta-gotas.

Segundo os articuladores políticos do presidente, Bolsonaro não quer a demissão do seu Posto Ipiranga. Continua amigo de Paulo Guedes. Mas também não está satisfeito com o planejamento do ministro e seus auxiliares para o período após a pandemia.

Para o Planalto, é hora de centrar fogo em projetos de criação de empregos - como o presidente chegou a sugerir no discurso desta quinta-feira em Minas Gerais. Para isso, o presidente está disposto a esticar a corda com o ministro até onde der.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL