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Tales Faria

Não são só xingamentos; Bolsonaro se prepara mesmo para uma guerra

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

28/01/2021 16h08


O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, compartilhou nesta quinta-feira no Twitter o vídeo em que o pai mandou a imprensa para a PQP, entre outros xingamentos. No seu post, o deputado afirma: "Não gostou? Venha para o lado de cá do balcão ver como é a guerra."


Está na cara mesmo que eles acreditam que a situação é de guerra. E o presidente Jair Bolsonaro prepara armas, munições e exército para essa guerra contra quem critique o governo. Foi isso que ele deixou claro no almoço almoço dos palavrões.

Se formos assistir novamente ao tal vídeo, veremos lá a reação da plateia, um exército em preparação, chamando seu líder de "mito". A turma, eufórica com os xingamentos. Incluindo o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Foi-se o tempo em que diplomatas eram homens finos e educados. Foi-se o tempo em que presidentes respeitavam alguma liturgia.

Mas o problema não são só os xingamentos. O problema é a guerra. O post de Eduardo Bolsonaro deixa claro que "do lado de cá do balcão", ele se vê numa guerra.

Não, não é um governo tentando apenas gerir o país em meio a uma grande crise econômica e de saúde pública. É uma guerra!

Já imaginou se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pensasse assim quando o então deputado Jair Bolsonaro ameaçou matá-lo se privatizasse a Petrobras? Já imaginou se os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff assim pensassem quando o Bolsonaro e seus filhos defendiam torturadores como Brilhante Ustra?

Esse país estaria em guerra mesmo. Teríamos aquela guerra civil, com pelo menos 30 mil mortos, que Bolsonaro já disse que seriam necessários para consertar o Brasil.

Pois é. Já passamos dos 200 mil com a proliferação do coronavírus, corremos o risco de ter muito mais com as mutações do vírus e estamos cada vez mais longe de consertar o Brasil.

O presidente ainda insinua que a pandemia pode ter sido fabricada, sabe lá por quem. Seres extraterrenos que acreditam que a terra é redonda?

E ele avisa: nem tentem me tirar que vou até 2022 de qualquer maneira. Mais: deixa claro que apontará fraude na eleição se não houver voto impresso e ele for derrotado. Disse que se pode repetir aqui o que houve nos Estados Unidos. Lembra? Donald Trump mandou seus seguidores invadirem o Capitólio.

Aliás, para os seguidores, Bolsonaro disse mais de uma vez que defende a liberação das armas porque quer vê-los todos armados.

Pois é. Já estão dados todos os sinais de que ele se prepara para uma guerra.

E, cá pra nós, quanto à eleição do presidente da Câmara, no dia 1º de fevereiro, desde o início da campanha dos candidatos ele encarou como uma importante batalha dessa guerra.