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Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bolsonaro faz de "um tal de Queiroga" a nova Regina Duarte

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

11/06/2021 09h59

"Um tal de Queiroga. Não sei se vocês sabem quem é." Foi assim que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se referiu a Marcelo Queiroga na cerimônia em que anunciou, nesta quinta-feira, que pretende acabar com obrigatoriedades do uso de máscaras.

Mais do que uma nova provocação negacionista contra a ciência, a fala de Bolsonaro foi motivada por sua irritação com o depoimento do ministro na CPI da Covid.

Bolsonaro não gostou de Queiroga ter-se declarado defensor do uso de máscaras e do distanciamento social, pessoalmente contrário à cloroquina como remédio para a covid-19 e não ter defendido o chefe por provocar aglomerações, motociatas e pelo próprio Bolsonaro não usar máscaras.

O "tal de Queiroga" entrou na linha de tiro, da mesma forma que outros ministros da Saúde, como Nelson Teich e Henrique Mandetta.

Mas com uma diferença. Já que Queiroga tem um temperamento tão flexível e subserviente como o da ex-secretária de Cultura, a atriz Regina Duarte, Bolsonaro resolveu dar ao ministro o mesmo tratamento: humilhações públicas seguidas, até que o auxiliar saia arrastando publicamente uma mal disfarçada vergonha.

Agora é esperar para ver se o ministro, como a atriz, vai repetir aquela cena dramática nos jardins do Palácio da Alvorada em que ela perguntou: "O senhor está me fritando, presidente?" E acabou saindo pela porta dos fundos do governo.