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Thaís Oyama


Os números mostram: sim, Bolsonaro está perdendo apoio

Thaís Oyama Thais Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Thais Oyama

Colunista do UOL

19/03/2020 00h37

Se as imagens mostradas na TV e compartilhadas pelo Whatsapp dão margem a dúvidas sobre quem ganhou a guerra das panelas travada ontem, o Twitter é categórico.

O time de Bolsonaro perdeu de lavada.

A agência Bites, de análise digital, monitorou a plataforma ao longo do dia de ontem até as 22h.

Os resultados:

Neste período, a rede social registrou 330 mil menções favoráveis a Bolsonaro contra 498 mil menções contrárias ao presidente — quase um terço a mais. Mais importante que isso foi que as críticas ao ex-capitão foram escritas por 186 mil pessoas ("autores únicos"), enquanto apenas 75 mil indivíduos se apresentaram para defendê-lo.

Trata-se de um fenômeno inédito, e ainda mais impressionante porque, de todas as redes sociais, o Twitter sempre foi a plataforma em que Bolsonaro nadou de braçada.

Na manifestação do último dia 15, por exemplo, somados os posts do dia seguinte, 16, Bolsonaro teve 1,73 milhão de menções favoráveis escritas por 235 mil autores únicos. A aposta dos analistas da Bites é que parte desse apoio derreteu em função do comportamento do presidente diante do agravamento da crise do coronavírus.

Trata-se de uma tendência inelutável ou Bolsonaro ainda dará a volta por cima?

Os próximos dias dirão, mas a derrota das panelas não foi a única má notícia vinda das redes que o presidente teve de engolir ontem. Minutos depois do panelaço fracassado, Olavo de Carvalho, professor de filosofia online e puxador do trio elétrico bolsonarista na internet, postou no Facebook o que foi lido como um ensaio de adeus.

"Eleito para derrubar o sistema, o Bolsonaro, aconselhado por generais e políticos medrosos, preferiu adaptar-se a ele. Suicídio".

Palavras do guru.

Thaís Oyama