PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Thaís Oyama


Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro, de volta ao ringue

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados: no aquecimento - Adriano Machado
Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados: no aquecimento Imagem: Adriano Machado
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

10/04/2020 11h26

Jair Bolsonaro não tem aliados ou adversários políticos. Tem amigos ou inimigos. Rodrigo Maia sempre esteve na segunda categoria - fato público desde maio do ano passado, quando em meio à primeira crise grave entre o governo e o Congresso, o ex-capitão não apenas deitou o verbo contra o presidente da Câmara como largou em campo seu pitbull para fazer o mesmo. Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, escoltado por sua tropa virtual, atormentou a vida do deputado nas redes sociais de tal maneira que ele ameaçou jogar a toalha e abandonar a condução da aprovação da reforma da Previdência. Foi Paulo Guedes quem entrou em campo para serenar os ânimos.

Ontem, Maia avisou que topava subir no ringue outra vez. No meio de um bate-boca sobre o agora finado Plano Mansueto, o presidente da Câmara declarou em entrevista coletiva, transmitida ao vivo pelos canais pagos, que o Legislativo "não será instrumento" para a disputa política do Palácio do Planalto com governadores. E acusou o governo federal de querer "matar" políticos de "centro-direita" para "manter vivo o PT", o partido que é o antagonista e a alavanca do bolsonarismo.

A declaração foi uma resposta do presidente da Câmara às recentes tentativas do Planalto de cooptar líderes do centrão para a sua órbita. A convite de Bolsonaro, representantes do Republicanos, PL e PP, todos ligados a Maia, foram chamados ao Planalto nesta semana para "conversar". O DEM, sigla de Maia e também do presidente do Senado Davi Alcolumbre, ficou de fora. A iniciativa do Planalto não tem outro objetivo que não o de "esvaziar" os poderes de Maia.

Por enquanto, o presidente da Câmara está duas casas à frente nesse jogo. Sabe que Bolsonaro pode chamar quem quiser para conversar, mas que "só na base da conversa, não vai conseguir nada", como diz uma liderança do centrão. Da mesma forma que Maia, a liderança conhece a sua turma e os argumentos capazes de fazê-la mudar de lado: cargos e emendas, preço que, se pago, fará Bolsonaro sair calcinado de suas redes sociais.

Rodrigo Maia tem ainda outro trunfo nas mãos e acenou com ele na semana passada. Como registrou o colunista Guilherme Amado, da revista Época, o presidente da Câmara disse que não irá aceitar nenhum dos processos de impeachment que recebeu contra Jair Bolsonaro.

Mas também não irá arquivá-los.

Passada a epidemia de Covid-19, contados os mortos e os sobreviventes, ele volta a pensar no assunto.

Thaís Oyama