PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Thaís Oyama


Haddad avança nas redes, mas ninguém faz frente a Bolsonaro

O ex-prefeito petista foi quem mais cresceu na crise do coronavírus, mas continua comendo poeira de Bolsonaro - Marlene Bergamo/Folhapress
O ex-prefeito petista foi quem mais cresceu na crise do coronavírus, mas continua comendo poeira de Bolsonaro Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

15/04/2020 12h23

Bolsonaro erra, erra e erra.

Ainda assim, continua sem oposição.

Nas redes sociais, não há por enquanto uma liderança capaz de fazer frente ao ex-capitão entre os seus ex-rivais na campanha de 2018.

Desde o início da pandemia do coronavírus, aumentou o fluxo de críticas a Jair Bolsonaro na internet e parte da opinião pública digital passou a procurar um nome capaz de liderar a cruzada contra o presidente na crise da Covid-19. Até agora, não achou, como mostra a agência Bites.
O petista Fernando Haddad foi a peça que conseguiu avançar algumas poucas casas nessa direção. O ex-prefeito de São Paulo se mostrou mais capaz de catalisar a onda anti-Bolsonaro do que Lula, Ciro Gomes e Marina Silva.

Segundo a Bites, o melhor momento do ex-prefeito de São Paulo se deu no dia 23 de março, quando ele escreveu no Twitter ser "duro lidar com um vírus e um verme." Bolsonaro havia acabado de editar a MP que autorizava a suspensão não remunerada dos contratos de trabalho por até quatro meses (ele recuou da medida logo em seguida).

Com essa postagem, Haddad conseguiu inflamar a audiência digital de oposição, ávida por munição de amplo alcance, como são as boas frases de efeito. A partir daí, Haddad acelerou sua curva de adesão de apoiadores. Dos 215 mil novos seguidores que o petista ganhou no Twitter, Facebook, Instagram e Youtube desde o último dia 1 de março, 151 mil vieram a partir da postagem do dia 23 março.

Neste mesmo período, ex-presidente Lula conquistou mais seguidores que Haddad (287 mil) — no entanto, ficou atrás do ex-prefeito no volume de compartilhamentos e comentários obtidos por post. Ou seja, pelos critérios da Bites, Haddad atraiu maior atenção para as suas mensagens e "influenciou" mais que Lula os usuários das redes. O ex-prefeito tem 5,4 milhões de seguidores; Lula, 7,5 milhões.

Mesmo com esse resultado, Haddad e Lula continuam comendo poeira de Bolsonaro. O presidente tem 36 milhões de seguidores nas redes, além de 6,8 mais interações que Lula e 6,4 mais que Haddad.

Ciro Gomes também aumentou seu número de seguidores nas redes com a crise do coronavírus, mas nada tanto assim. O ex-governador do Ceará ganhou 139 mil fãs, mas tem metade das interações de Haddad e Lula.

Marina Silva, também ex-candidata à presidência no pleito que elegeu Bolsonaro, quase não se mexeu. Adicionou apenas 16 mil fãs aos seus perfis, com uma média de interações por post quase quatro vezes menor do que a de Ciro Gomes.

Espremendo os números, a conclusão é de que, ao menos nas redes, ninguém está pronto para bater Bolsonaro.

O presidente poderá continuar errando à vontade.

PS: o levantamento da Bites incluiu, além do ex-presidente Lula, apenas os ex-candidatos à presidência em 2018, daí a ausência do governador de São Paulo, João Dória. Embora seja hoje um dos antagonistas de Bolsonaro na crise do coronavírus, no universo da internet o tucano ainda tem de comer muito feijão para se equiparar aos demais rivais do ex-capitão. Dória tem apenas 165 mil seguidores nas redes e uma média de interações por post apenas mais alta que a de Marina Silva. O tucano obteve seu melhor resultado na pandemia no dia 25 de março, quando criticou o presidente Bolsonaro durante a reunião com os governadores do Sudeste. Ganhou 24 mil seguidores na ocasião. Seu pior momento foi no dia 2 de abril, quando compartilhou no Twitter um texto de Lula, a quem havia atacado duramente na campanha de 2018. Neste dia, Doria perdeu dois mil seguidores.

Thaís Oyama