PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Thaís Oyama


Bolsonaro S/A

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

06/07/2020 12h48

Bolsonaro colocou a família toda na política, incluindo uma hoje ex-mulher e um filho que ele mandou se candidatar quando ainda estava no colégio. O ex-capitão foi o iniciador e mentor do clã.

Hoje, o senador Flávio Bolsonaro está sendo investigado pela prática de rachadinha. O vereador Carlos Bolsonaro também. E ontem a Folha de S. Paulo mostrou que, na família Bolsonaro, movimentações heterodoxas ligadas a pagamentos de funcionários de gabinete não começaram com o Zero Um, nem com o Zero Dois e nem com o Zero Três.

A reportagem mostra que em 28 anos como deputado, Jair Bolsonaro usou por um número de vezes excepcional um expediente que foi banido pela Câmara em 2003 por lesar os cofres públicos.

Esse expediente consistia em pagar indenizações e outros encargos para funcionários de deputados a cada vez que eles mudavam de cargo ou de nível — o que aconteceu nada menos que 350 vezes no gabinete do ex-capitão no tempo em que ele esteve na Câmara.

Em 1988, quando entrou para a política, Jair Bolsonaro era um homem sem posses.

Tinha um Fiat Panorama, uma moto e dois lotes baratos no interior do Rio. Quando se candidatou à Presidência, em 2018, já era um homem rico. Declarou 2,3 milhões em patrimônio, incluindo quatro casas.

Os três filhos que ele pôs na política também progrediram muito. Junto com o pai, Flávio, Carlos e Eduardo têm hoje treze imóveis em áreas nobres do Rio, como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca, sem falar em carros e aplicações financeiras que totalizam 1 milhão e setecentos mil reais. Tudo isso está declarado na Justiça Eleitoral.

O nome de Bolsonaro nunca apareceu nos grandes escândalos de corrupção que assolaram o Brasil. O ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, chegou a destacar no histórico julgamento do mensalão que Bolsonaro foi o único deputado do PTB a se posicionar contra o governo numa votação azeitada pela propina.

Bolsonaro tampouco aceitou um dia dinheiro de empresários para suas campanhas. Em 2014, ele chegou a devolver ao seu partido, na época o PP, um cheque de 100 mil reais quando soube que o dinheiro tinha vindo da JBS.

Assim, é razoável supor que o ex-deputado não engordou seu patrimônio à custa de propinas de empreiteiras nem suborno disfarçado de doação eleitoral.

Mas isso não é mais um atestado de honestidade para o ex-capitão.

A cada notícia que surge sobre os hábitos da família Bolsonaro na administração de seus gabinetes fica mais difícil para o presidente se livrar da suspeita de que fez da política um rentável empreendimento familiar.

Thaís Oyama