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Thaís Oyama


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Pesquisa mostra que Bolsonaro achou o mapa da mina

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

14/08/2020 09h36

A capa da "Folha de S.Paulo" circulou logo cedo hoje pelos grupos de WhatsApp do Palácio do Planalto. A pesquisa Datafolha confirmando o "efeito coronavoucher" sobre a popularidade de Jair Bolsonaro, sobretudo no Nordeste, deixou eufóricos os assessores do presidente.

Nada que o faro dos políticos da região já não tivesse detectado.

Nas últimas semanas, choveram convites de lideranças nordestinas para que o ex-capitão visitasse suas bases.

Além dos louros que vem colhendo com a distribuição do auxílio emergencial, o presidente tem outros trunfos na região.

O ministro Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, trabalhou quieto, mas trabalhou muito. E se não tocou nenhuma grande obra até agora, teve a esperteza de investir no término das muitas que encontrou inacabadas, como as rodovias 116 e 101 na Bahia, e a ferrovia Oeste-Leste, por exemplo. Sem falar no Eixo Norte da transposição do rio São Francisco, iniciada no governo Lula e concluída pela pasta de Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional. No final, quem capitaliza é quem entrega.

Nas eleições de 2018, Bolsonaro perdeu feio no Nordeste. Foram quase 4 votos contra 1 para o petista Fernando Haddad. Agora, com a pesquisa Datafolha, o Palácio já arrisca que Bolsonaro conseguirá chegar a 2022 com um placar de 2 a 1 sobre o PT.

Paulo Guedes, como disse Flávio Bolsonaro, vai ter de "arrumar um dinheirinho" para não deixar a fonte do seu pai secar.

Bolsonaro achou o mapa da mina —e agora é tarde demais para querer que volte atrás.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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