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Thaís Oyama

Moro sai da toca, mas lavajatistas torcem nariz para o "playboy" Huck

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

09/11/2020 14h49

Sergio Moro decidiu sair da toca pressionado por amigos. Um deles afirma que o ex-juiz vinha recebendo insistentes pedidos para "deixar a inércia" e começar a se movimentar. O enfraquecimento do ex-juiz e ex-ministro da Justiça nas redes também pesou na decisão.

A notícia — diligentemente distribuída à imprensa— de que o ex-ministro de Bolsonaro procurou o apresentador Luciano Huck para discutir a organização de uma frente de oposição ao governo não levantou sua plateia, ao menos no universo da internet.

Entre lavajatistas, a reação foi fria. Desagradou apoiadores de Moro sobretudo a possibilidade de ele vir a sair como vice de alguém considerado por parte dos defensores da Lava Jato "um playboy sem compromisso com o país, patrocinado pela Globo", como afirmou um amigo do ex-ministro.

Tampouco as aventadas presenças na frente do governador de São Paulo, João Doria, e do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, entusiasmaram os seguidores do ex-ministro.

A agência AP, de consultoria digital, observou que a notícia da aliança "reuniu apoio pouco significativo" nas plataformas e que Mandetta, ainda sem uma grande base de apoio na internet, é considerado por lavajatistas "sem energia".

Entre abril e maio, logo depois que deixou o Ministério da Justiça, Moro ganhou 343 mil seguidores no Twitter e chegou a 3 milhões de fãs no Instagram. Desde junho, porém, o ex-ministro ganhou apenas 63 mil apoiadores no Twitter e perdeu 345 mil no Instagram. Os dados são da agência Bites, de consultoria digital.

Pessoas próximas a Moro disseram que o fato de o ex-juiz ter se manifestado neste fim de semana não quer dizer que tenha se decidido pela candidatura, e ainda destacam que dificilmente ele aceitaria ser vice de alguém.

Por enquanto, o balão de ensaio do ex-ministro teve pouca receptividade. "O pau está quebrando nas costas dele nas redes sociais", comentou o interlocutor de Moro. "Mas apanhando ou não em função das companhias, ele tem que se colocar. Time que não entra em campo não forma torcida".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.