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Thaís Oyama

Bolsonaro e Crivella: essa parceria é nota 10

O presidente Bolsonaro e Marcelo Crivella: o crédulo e o "injustiçado" - Reprodução/Twitter/ TV Brasil
O presidente Bolsonaro e Marcelo Crivella: o crédulo e o "injustiçado" Imagem: Reprodução/Twitter/ TV Brasil
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

22/12/2020 09h55

O presidente Jair Bolsonaro saiu em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques.

Ontem, seu apadrinhado no STF foi espinafrado pelo mundo jurídico e nas redes sociais por tentar extinguir com uma canetada o que o plenário do Supremo construiu a duras penas: uma lei que afasta políticos corruptos da política por um bom tempo.

Nunes Marques, o novato que inovou, nas sempre ofídicas palavras do seu colega Marco Aurélio de Mello, deu uma liminar que, na prática, reduz para oito anos o prazo em que criminosos são proibidos de se candidatar.

No caso - improvável— de a decisão de Nunes Marques continuar valendo, vários políticos enrolados na Lava Jato poderão sair do cantinho do pensamento e concorrer a um cargo eletivo já nas eleições de 2022.

"Quem erra tem de pagar, mas não pode pagar ad eternum", disse o presidente Bolsonaro sobre a liminar que, na opinião dele, não tem "nada demais".

"O pessoal fica na maldade", completou.

O pessoal fica na maldade e o presidente Bolsonaro fica cada vez mais crédulo.

Seu aliado, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, acaba de ser preso numa operação da Polícia Civil que leva o sugestivo nome de "QG da Propina".

Seu filho Eduardo Bolsonaro é alvo de uma apuração preliminar na Procuradoria Geral da República por ter usado 150 mil reais em dinheiro vivo para completar o pagamento de dois apartamentos na Zona Sul do Rio de Janeiro, entre 2011 e 2016, conforme revelou o jornal O Globo.

Seu principal aliado na Câmara, Arthur Lira, réu duas vezes no STF por corrupção e improbidade administrativa, opera a céu aberto no Congresso para viabilizar sua eleição à presidência da Câmara. (E aqui, "operar" significa apenas oferecer cargos e emendas a parlamentares, coisa feita à luz do dia e que exclui o que a vista não alcança).

Continua no ar, para quem quiser ver, o vídeo intitulado "Esta parceria é 10!", em que o presidente pede votos para o agora temporariamente privado de liberdade Marcelo Crivella, cujo partido, o Republicanos, abriga metade do clã Bolsonaro.

Diante disso, é de se perguntar: o presidente da República foi quem saiu em defesa da liminar do ministro Nunes Marques que beneficia corruptos ou foi a liminar do ministro Nunes Marques que pretendeu sair em defesa do presidente e seus aliados?