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Thaís Oyama

NOTÍCIA

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Traído por Guedes, mercado concorda com ministro: "Eu sou o pau da barraca"

Vitrine de carros na avenida Faria Lima, em São Paulo: nem tudo sobreviverá a Bolsonaro - Divulgação
Vitrine de carros na avenida Faria Lima, em São Paulo: nem tudo sobreviverá a Bolsonaro Imagem: Divulgação
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

23/02/2021 09h50

O melhor meme que circulou ontem na internet mostrava Jair Bolsonaro tirando uma máscara do rosto. Por baixo dela, o que surgia era... o rosto de Jair Bolsonaro.

"Bolsonaro não cometeu estelionato, sempre foi o que é, só não via quem não queria. Quem nos traiu foi Paulo Guedes", disse ontem um peso pesado da Faria Lima, o quadrilátero paulistano que abriga gigantes empresariais como Bradesco, J.P. Morgan, Google e Facebook.

Para esse empresário, o episódio da intervenção de Bolsonaro na Petrobras apenas deixou clara a incapacidade do ministro de controlar os ímpetos antieconomia de mercado e estatizantes do presidente.

A cotação de Guedes há muito já andava em baixa.

Ciente disso, o próprio ministro fazia questão de repetir uma frase de efeito a todo empresário que sinalizasse impaciência diante da sua nunca cumprida agenda liberal.

"Eu posso não conseguir fazer o que vocês querem, mas sou a garantia de que não haverá alguém que fará o que vocês não querem".

E concluía, desafiador: "Eu sou o pau da barraca".

Paulo Guedes continuará sendo o pau da barraca e a Petrobras continuará de pé.

A estatal que nem a corrupção do petrolão nos governos petistas conseguiu quebrar não é apenas uma das maiores petroleiras do mundo como ostenta o mais rápido ritmo de expansão no setor (produz hoje 2,9 milhões de barris de petróleo por dia, o que significa 1 milhão de barris a mais do que a média diária de 2013). No pré-mercado de Nova York, as ações da empresa amanheceram em alta de 4%.

Governos passam e a Petrobras fica, mas se alguma coisa morreu no coração dos habitantes da Faria Lima nessa semana foi a esperança de assistir à aprovação das reformas, vista como condição essencial para a queda dos juros, o alívio no câmbio, a melhora no ambiente de negócios e a retomada do crescimento da economia.

"Agora isso tudo ficou para 2023", diz um deles.

Paulo Guedes continuará a ser o pau da barraca e a Petrobras continuará de pé.

Mas, ao menos até 2022, muita coisa perecerá na grama em que Bolsonaro pisa.