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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ao "desejar" Moro candidato, Bolsonaro lembra que sempre foi Centrão

O ex-juiz Sérgio Moro, a quem Bolsonaro disse desejar "sorte: ahã - Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
O ex-juiz Sérgio Moro, a quem Bolsonaro disse desejar "sorte: ahã Imagem: Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

27/08/2021 11h54

O presidente Jair Bolsonaro disse que pode vetar a quarentena eleitoral inventada na Câmara dos Deputados para evitar a candidatura, em 2022, do ex-juiz Sérgio Moro e de procuradores lava-jatistas. Na live de ontem, o presidente disse que não "prejudicaria todo mundo" apenas para tirar o ex-juiz do páreo.

"Quero mais que o Sérgio Moro dispute e, se ganhar, vou dar boa sorte para ele", afirmou.

É para rir?

Que ele não deseja boa sorte coisa nenhuma ao ex-juiz e seu desafeto é desnecessário dizer.

Mas no teatro que o ex-capitão protagonizou ontem, antecipa-se o que será uma de suas linhas de campanha.

Bolsonaro tentará aproveitar-se do que restou da bandeira anticorrupção que ajudou a catapultar sua eleição. Mesmo amassada, rota e chamuscada pelos escândalos familiares e pelas suspeitas no Ministério da Saúde, é com ela que ele vai para o ringue com o ex-presidente Lula.

Primeiro, porque não tem muita opção. Depois, porque o petista, tendo tido suas condenações anuladas por motivos processuais e não de mérito, quer queira, quer não, continuará a carregar o fardo da Lava Jato na campanha.

Na pantomima em que expressou toda a sua falsa indignação contra a ideia de incluir no Código Eleitoral artigo que proíbe juízes, militares e policiais de se candidatarem a cargos eletivos em 2022, Bolsonaro ainda reclamou: "Tudo o que eu peço ao Parlamento eles fazem o contrário!".

O ex-capitão nunca foi conhecido pelo tirocínio político. Mas, ao exercitar com tanta desenvoltura a arte de dizer uma coisa e nos bastidores fazer outra, ele lembra de onde veio. Bolsonaro, ele mesmo disse, sempre foi Centrão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL