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Thaís Oyama

REPORTAGEM

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Lula, o articulador, diz procurar grupos hostis "para tirar a raiva deles"

O ex-presidente Lula: resistência aos "assuntos de orientação sexual" - Reprodução/Instagram @lulaoficial
O ex-presidente Lula: resistência aos "assuntos de orientação sexual" Imagem: Reprodução/Instagram @lulaoficial
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

07/10/2021 10h24

O ex-presidente Lula, em franca campanha para a Presidência da República, repete a mesma frase a amigos que encontra em suas viagens: "Estou conversando com todo mundo, você não imagina com quem".

Segue dizendo que tem falado com pessoas que vão apoiá-lo no primeiro turno, com gente que ensaia aliar-se a ele no segundo turno e que pode ajudá-lo a governar em caso de vitória. "E tem gente com quem converso só para tirar a raiva deles", diz, em referência a setores hostis à sua candidatura, como grupos ligados aos militares e ao agronegócio.

Diferentemente do que fez em eleições anteriores, Lula vem tomando para si o papel de articulador político do PT. A fim de ajudar a eleger nomes fortes nos estados e evitar que problemas regionais se reflitam nas alianças nacionais, tem intensificado encontros e viagens pelo Brasil. Em Pernambuco, onde esteve no mês passado, chegou a falar com representantes de 14 partidos num dia só.

Segundo aliados, o petista pretende centrar suas falas de campanha em três temas: emprego, renda e fome.

A quem lhe diz que é preciso "trazer coisas novas" para o discurso, Lula responde que não dá para falar de coisas novas se o governo Bolsonaro trouxe de volta "tudo de velho", referindo-se ao aumento da pobreza no país.

A política ambiental, flanco aberto do governo Bolsonaro, receberá especial atenção do petista — de olho, inclusive, no apoio internacional ao seu nome.

Já o investimento nas pautas identitárias têm causado tensões internas no PT.

O ex-presidente considera que a luta contra o racismo e os direitos da mulher já são "pautas que fazem parte da agenda sociedade", mas resiste a investir no que chama de "assuntos de orientação sexual" — ou seja, nas demandas de representantes do público LGBTQIA+. "No que depender de Lula, isso vai ser tratado com sobriedade. Não será uma bandeira de campanha", afirma um aliado de longa data do petista.

Lula sabe que precisa caminhar para o centro, sob pena de ver crescer seu já alto índice de rejeição e abrir espaço para um eventual nome da terceira via. Embora rumine em silêncio os planos para o nome do vice que irá compor a sua chapa, aliados estão seguros de que é nessa direção que ele vai.